A história por detrás dos vinhos portugueses mostrada na primeira pessoa “fascina” angolanos e não só

Empresários e jornalistas de Angola, Brasil, Moçambique e Estados Unidos andam a visitar Portugal para conhecerem melhor a história por detrás dos vinhos portugueses. Entre eles há uma angolana que se mostra “fascinada” com a visita.
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Os vinhos portugueses não são uma novidade para o jornalista e crítico de vinhos Marcelo Miwa, da revista brasileira Prazeres da Mesa, que já vai na sua sétima visita a Portugal. No entanto, "há sempre regiões e castas para conhecer melhor", aponta.

Apesar de uma visita motivada pelo vinho, a convite da distribuidora Lusovini, a descoberta não se resume a provas: "o vinho não é só vinho. Precisa de um contexto", disse à agência Lusa Marcelo Miwa, aquando do passeio que a comitiva realizou hoje pela Universidade de Coimbra. "O vinho é uma ferramenta para se falar de uma cultura, de um lugar, de um povo", defende.

Clientes da distribuição, garrafeiras, restaurantes, hotelaria, jornalistas e críticos de vinhos dos Estados Unidos, do Brasil, de Angola, de Moçambique, da China, de França, da Polónia e de Inglaterra estão a visitar as principais regiões vitícolas portuguesas e respectivos vinhos desde terça-feira e até domingo, conhecendo não só adegas do Alentejo, Tejo, Bairrada, Douro e Dão, mas a gastronomia, paisagem, cultura e património destas zonas.

Até agora, Fausto Martins, dono de uma casa de vinhos em Maputo, Moçambique, não encontrou "nenhuma surpresa", no que toca a vinhos. No entanto, salienta a importância de se "falar com os produtores", porque os consumidores, num nicho "cada vez maior e mais exigente", querem saber "a história, a maneira de fazer e a região" associada ao vinho.

"Um vinho sem história é muito difícil de vender", afirma o empresário de New Jersey, Estados Unidos, José Dias, que aponta para esta iniciativa como uma forma de se "contar muito melhor a história", num mercado em que o vinho português "está a crescer".

Serge Pereira, também empresário sediado nos Estados Unidos, frisa essa necessidade de se conseguir "contar uma história", até "antes sequer de se falar do vinho". "É importante um contacto direto com quem faz os vinhos e estabelecer um elo mais profundo com os produtores", refere.

Já Laerte Monteiro, de uma rede de supermercados no Rio de Janeiro, Brasil, diz estar maravilhado com os vinhos que tem provado nos primeiros dois dias da viagem. No Brasil, o vinho tinto do Douro "é o que tem mais saída", mas com a visita poderá apostar em "novas marcas" e novas regiões, como a Bairrada, que não conhece e não vende. "Todo o mundo está adorando", comenta.

O escanção brasileiro João de Araújo Pereira, de uma cadeia com restaurantes "por todo o mundo", conhece bem os vinhos portugueses, aliás a cadeia tem na carta "950 vinhos de Portugal". A viagem, na sua óptica, permite conhecer novidades e "coisas diferentes", tendo-se deixado encantar por vinhos como o alentejano Sericaia.

"Poder conhecer uma grande herdade, com uma tradição de séculos, como a da Alorna, é muito agradável", comenta José Sebastião, proprietário de um restaurante em Luanda, que, com a visita, ficou a perceber melhor as diferentes fases da produção do vinho. "Ainda imaginava que fosse com os pés", diz a mulher de José, Hortência Sebastião, mostrando-se "fascinada" com a visita.

Segundo Carlos Moura, da Lusovini, distribuidora que exporta cerca de 70 por cento, os grandes mercados são Angola e Brasil, com os Estados Unidos também a crescer "imenso". No entanto, "ainda há muito trabalho a fazer e muito mercado a conquistar", comenta.

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