Ver Angola

Comércio

Angolanos, franceses e sul-africanos na corrida pelos hipermercados Kero

A cadeia de distribuição angolana Score juntou-se aos franceses da Carrefour e aos sul-africanos da Shoprite na corrida à concessão dos hipermercados Kero, cuja dívida será assumida pela Zahara Comércio, que tem como principal accionista o Estado.

:

As informações foram avançadas esta Quarta-feira por responsáveis do Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE) durante uma sessão de auscultação no âmbito do concurso público que vai ser lançado em 15 de Julho.

O concurso servirá para escolher um novo operador que irá gerir a rede de super e hipermercados, anteriormente detida pelo grupo Cochan dos generais Hélder Vieira Dias "Kopelipa" e Leopoldino Fragoso do Nascimento "Dino", que foi entregue ao Serviço Nacional de Recuperação de Activos (Senra).

Segundo Domingos Francisco, actual presidente do Conselho de Administração da Zahara Comércio - grupo detentor do Kero, cujo principal accionista é o Estado angolano (90 por cento), cabendo os restantes 10 por cento à Cochan - a cessão dos direitos de exploração abrange toda a rede de 12 lojas, das quais oito em Luanda, e prevê a preservação dos postos de trabalho (1711).

Além do Carrefour e da Shoprite, também a cadeia angolana Score, dona do Deskontão, "fez recentemente uma abordagem e mostrou interesse" na rede de hipermercados, afirmou, realçando que o executivo procura um grupo "com músculo financeiro e capacidade de gestão", devendo operar com a sua própria insígnia.

O grupo Zahara acumula prejuízos elevados desde 2018 e encerrou 2020 com um resultado líquido de 46.096 milhões de kwanzas, segundo uma tabela relativa à situação financeira apresentada na sessão desta Quarta-feira.

No entanto, a rede de hipermercados será entregue ao novo operador livre de quaisquer ónus. "A dívida vai ficar na Zahara Comércio que será responsável pelo seu pagamento", indicou Domingos Francisco.

Questionado sobre se o Estado ia assumir o valor da dívida , Ulica Bravante, coordenador da comissão de negociação do IGAPE respondeu que a dívida é do grupo Zahara e não há uma transferência directa para o Estado.

"O responsável pelas dívidas de uma sociedade anónima é a própria sociedade, que responde no limite do seu património (...) logo não há uma transferência directa da dívida do grupo para o Estado. Naturalmente que o Estado preocupa-se com a situação financeira do grupo, enquanto accionista, e sempre que houver necessidade de fazer reforço, e tendo essa capacidade, fará na qualidade de accionista", explicou.

Domingos Francisco adiantou que estão em curso negociações com a banca com vista a adquirir financiamento para pagamento da dívida aos fornecedores nacionais, avaliada em 6,9 mil milhões de kwanzas, bem como a liquidação de dívidas a credores externos, cujo valor não precisou.

"Houve uma deterioração das contas a partir de 2018, com agravamento em 2019 e 2020, devido ao peso dos contratos de serviços com o exterior", acrescentou.

A divida contraída com a banca para "expansão do negócio" está também em fase de restruturação.

Segundo o gestor, "há perspectivas positivas de ser feito, não um perdão, mas uma moratória de seis a oito meses", para que possa ser passada a gestão ao novo operador "sem este sufoco" e ir amortizando a dívida à banca após a cessão da exploração.

Quanto a litígios judiciais em curso, Domingos Francisco salientou que "são de pouca monta" e estão em fase de resolução ou já sanados, pelo que "para o propósito da cessão, têm pouca relevância".

Ulica Bravante disse que o procedimento concursal deve estar concluído em 150 dias, com abertura do concurso em 15 de Julho e receção de propostas até 16 de Setembro, seguindo-se a habilitação de concorrentes e análise e avaliação e negociação de propostas durante mais um mês. A adjudicação e celebração do contrato está prevista para 12 de Outubro.

A concessão terá um prazo de sete anos, sem opção de compra. O novo operador vai pagar um 'fee' variável à Zahara Comércio, definido em termos de percentagem das vendas brutas, e uma renda sobre as infraestruturas à Zahara Imobiliária, também pertencente ao grupo.
O grupo tem várias empresas, entre as quais Zahara Comércio, Zahara Imobiliária, Zahara Logística, Zahara Serviços e Zahara Indústria.

Relacionado