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Pandemia de covid-19 com impacto na qualidade dos activos e liquidez da banca, diz Deloitte

A qualidade dos activos e a liquidez são duas áreas em que a banca deverá sentir de forma mais significativa o impacto da pandemia de covid-19, afirmou esta Quinta-feira o presidente da Deloitte, José Barata.

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"A pandemia tem estado a ter um impacto significativo a nível global e obviamente que Angola não está imune a estes impactos", afirmou o responsável da consultora, à margem da apresentação do estudo 'A Banca em Análise'.

"A qualidade dos activos é colocada em causa, desde a dívida pública às próprias aplicações, podemos ter um aumento do risco dos devedores e isso terá um reflexo no crédito concedido", estimou, sublinhando que "quando toda a economia sofre", os bancos sofrem também.

Por outro lado, espera-se também mais liquidez dos bancos.

"Nas situações de pandemia, as populações têm uma apetência natural para ter maior liquidez consigo, têm tendência para que as suas poupanças estejam mais líquidas e isso impacta os balanços dos bancos de forma directa", indicou José Barata.

Quanto à análise da Deloitte sobre a banca angolana em 2019, o responsável destacou que "houve um reforço das imparidades" por forma a reconhecer, nas demonstrações financeiras dos bancos, os riscos de créditos vencidos, bem como uma redução dos resultados líquidos e do volume de crédito, apesar do aumento dos depósitos, "que não foram aplicados em crédito, mas sim em dívida pública".

No final do debate em que o estudo foi esta Quinta-feira apresentado, ficou clara, para José Barata, "a necessidade de os bancos incrementarem o crédito às famílias e às empresas".

Para o presidente da comissão executiva do Banco Angolano de Investimento (BAI), Luís Lelis, um dos participantes na sessão, há disponibilidade para dar mais crédito, mas faltam bons projectos para serem apoiados.

"A banca tem sido criticada por só conceder crédito ao Governo, tragam-nos bons projectos", desafiou.

O banqueiro sublinhou, por outro lado, que a pandemia veio trazer uma alteração profunda no paradigma de fazer negócios, obrigando a fortes investimentos na arquitectura de sistemas e cibersegurança, bem como na criação de condições técnicas e tecnologia para o regime de teletrabalho.

O professor da Nova SBE Jorge Braga de Macedo salientou, na sua intervenção, que a pandemia ameaça a liberdade financeira e de circulação e coloca riscos operacionais, de liquidez e crédito e solvabilidade à banca.

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