Grupo espanhol CaixaBank sem pressa de vender participação no BFA

O grupo espanhol CaixaBank manifestou-se “muito satisfeito” com a evolução da economia nacional e sem pressas para vender a participação de 48,1 por cento que tem no banco BFA deste país africano.
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“Vemos com satisfação que o BFA continua a ter uma gestão boa e rentável, e temos muita paciência na procura do momento e da forma para reduzir a nossa participação” no banco, disse o presidente executivo do CaixaBank, Gonzalo Gortázar, aos jornalistas na conferência de imprensa em que apresentou os resultados do grupo bancário, em Valência, Espanha.

Os lucros do CaixaBank no primeiro semestre do corrente ano foram de 622 milhões de euros, que incluem os 46 milhões de dividendos que recebeu da participação que tem no BFA através da sua filial portuguesa, o BPI.

Gonzalo Gortázar manifestou-se “muito satisfeito com a evolução da economia angolana e, sobretudo, as medidas que estão a ser tomadas pelo Governo” de Luanda, tendo dado como exemplos “o empréstimo de 1000 milhões realizado a uma taxa de juro de 3,5 por cento, a desvalorização da moeda e a luta contra a corrupção”.

Tudo medidas “na boa direção” que fazem parte “de um processo correto da evolução da economia”, resumiu.

O BPI tem 48,1 por cento do BFA desde o início de 2017, quando vendeu 2 por cento do banco angolano à operadora Unitel, mas tem uma recomendação do Banco Central Europeu (BCE) para reduzir ainda mais a operação no mercado angolano.

O ano passado, o BPI admitiu vender em bolsa as ações do BFA quando este fosse cotado, depois de Isabel dos Santos (dona da Unitel, a empresa que tem a maioria do capital do BFA) ter dito que poderia avançar com um IPO [initial public offering] do BFA.

Ainda não há uma decisão sobre se o BPI ficará com uma posição no angolano BFA ou se venderá a totalidade da sua participação.

O BFA é detido em 51,9 por cento pela Unitel, tendo o BPI 48,1 por cento (e apenas dois administradores não executivos).

Actualmente, o BPI é detido em 100 por cento pelo grupo espanhol CaixaBank, na sequência da Oferta Pública de Aquisição (OPA) feita no início de 2017. 

Nessa operação, a 'holding' angolana Santoro, de Isabel dos Santos, vendeu a participação de 18 por cento que tinha no BPI por 300 milhões de euros abrindo caminho ao total controlo do banco português pelo grupo bancário espanhol.

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