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Economia

Valdomiro Dondo diz ter investido 500 milhões de dólares no país

O empresário brasileiro-angolano Valdomiro Minoru Dondo, há 35 anos em Angola, afirma ter investido no país acima de 500 milhões de dólares, mas reconhece que a “realidade actual está bem diferente do era há dois anos”.

: Lusa
Lusa  

Em declarações à agência Lusa, Valdomiro Minoru Dondo, empresário com negócios nos sectores dos transportes, imobiliário, banca, mineiro, saúde, restauração, bebidas, pastelaria e tecnologia de informação, disse que "a economia decresceu um pouco com a pandemia", o que levou a uma redução de pelo menos 2000 postos de trabalho dos 5000 que conseguiu criar com os seus negócios.

Valdomiro Minoru Dondo, considerado um dos empresários mais bem-sucedido em Angola, disse que a Macon, empresa de transporte urbano, interprovincial e internacional, é bem o exemplo dos constrangimentos causados pela pandemia da covid-19.

Segundo o empresário, a Macon, em 2020, devido à restrição da operação interprovincial, ficou limitada ao transporte urbano e teve resultados negativos, com uma perda no volume de negócios de 60 por cento.

"Neste momento, aguardamos com uma certa esperança a reabertura do transporte para as províncias e estamos esperançosos que a nossa actividade, em alguns meses, volte à normalidade", frisou.

O empresário referiu que houve necessidade de reduzir trabalhadores, mas a política é "demitir o mínimo possível", informando que foram igualmente suspensos contratos com alguns dos seus quadros.

"O impacto não foi muito grande, porque o custo para nós treinarmos a mão-de-obra, motoristas, mecânico, é muito alto e estamos resistindo para demitir o mínimo possível", explicou.

As operações a nível internacional, para as vizinhas Namíbia e República Democrática do Congo, também nesses mercados a covid-19 teve o seu impacto no negócio, sublinhando que até então a operação se encontrava em fase de crescimento, mantendo fé que a empresa voltará a crescer.

Outro grande investimento afectado pela crise económica angolana é o centro comercial Kinaxixi, obra imponente iniciada em 2008 e ainda em fase de construção.

Segundo Valdomiro Minoru Dondo, o cronograma foi alterado: "Um centro comercial como é o Kinaxixi, que é um conceito moderno de morar, trabalhar e lazer, é uma construção que quando estiver terminado vai ter mais de 180 mil metros quadrados de área construída".

A âncora do projecto "é o centro comercial, mas com essa queda da demanda e da economia, nós redimensionamos o término da construção, para daqui a dois anos", ajuntou.

Para Valdomiro Minoru Dondo, Angola tem vocação natural para muitos segmentos, principalmente na agricultura e exploração da mineração, algumas das últimas apostas de investimentos que fez.

"Para agricultura nós temos sol, terra e água, para a mineração temos todas as riquezas de muitos minerais para serem explorados. Então, riqueza nós temos", destacou.

No que se refere à exploração mineira, há três anos a Sociedade de Mineração de Buco Zau e Lufo iniciou a pesquisa de ouro na província de Cabinda, no norte de Angola, onde obteve duas concessões, uma das quais já saiu da fase de prospeção e deverá até ao final do ano entrar na fase de produção.

De acordo com Valdomiro Minoru Dondo, são minas com um grande potencial e de reserva, estando atento a outras oportunidades que possam surgir nesse segmento.

"Na agricultura, estamos em fase de pesquisa e de produção de feijão e milho na província do Cuando Cubango", disse, garantindo que não tem faltado apoio governamental nessas iniciativas.

A aposta do Governo angolano em diversificar a economia e deixar de importar para ser produtor "é certa", considerou o empresário, reconhecendo que "muita coisa já está a ser produzida no país".

Sobre o que tem dificultado um avanço maior no alcance desse objectivo do Governo, o empresário, que reside em Luanda e em 2002 obteve a nacionalidade angolana, disse que tem faltado projectos e investidores.

"Investidores, na prática, não falta, temos entidades como a Deutsche Bank, a própria entidade de fomento do Governo americano, a Development Finance Corporation (DFC), tem financiado e aportado investimentos em grandes projectos aqui em Angola, o que falta é iniciativa de empresários para irem atrás dessas oportunidades de financiamento", considerou.

O empresário reiterou que falta iniciativa, bons projectos, que são exigidos quando se recorre à essas entidades.

"Tem que apresentar projectos bem elaborados e bem feitos, mas ultimamente já tem aparecido projectos, a nossa empresa tem submetido projectos a busca dessas oportunidades de financiamentos", disse.