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Sindicato dos Médicos acusa ministra de “tortura psicológica” e reitera manifestação

O Sindicato Nacional dos Médicos de Angola (SINMEA) acusou esta Terça-feira a ministra de Saúde de promover “tortura psicológica” contra estes profissionais nos concursos e reiterou que está em preparação “uma mega manifestação” reclamando a integração de todos os médicos.

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A posição do SINMEA, expressa num comunicado, surgiu na sequência das declarações de Silvia Lutucuta que, na Segunda-feira, rejeitou críticas aos concursos públicos para admissão de médicos, salientando que a entrada destes na função pública não pode ser arbitrária e que um dos pressupostos de avaliação é a nota.

“Não vemos razão nenhuma para os médicos se manifestarem porque quem não teve positiva não vai mesmo entrar, não tem condição”, disse a responsável da pasta da Saúde, acrescentando que existem muitos erros médicos que devem ser evitados e que o país deve zelar pela prestação de bons cuidados de saúde.

Na resposta à ministra, o SINMEA repudia as declarações “chocantes e desvalorizantes”, considerando “muito triste esta tortura psicológica” a que são submetidos os médicos angolanos nos concursos públicos.

“A desvalorização constante de Vossa Excelência à classe médica nacional é motivo da desmotivação da classe na prestação de serviço”, critica o sindicato.

Para o SINMEA, o teste de admissão a concurso público esvazia “os sete anos de formação de um médico” e o processo sofreu “várias atrocidades” com candidatos a prestar provas de séries diferentes, notas que não correspondiam à chave da prova e equipamentos inadequados para corrigir as provas, o que teve efeito nos resultados.

O sindicato questiona ainda o facto de a avaliação de competências só ser feita aos médicos angolanos, e não aos expatriados, que “têm direito a transporte, alojamento condigno e salário em média de 5 mil dólares/ mês”, direitos que são negados aos angolanos.

O SINMEA fala ainda de uma “falta gritante de médicos” em Angola, que tem menos de 8 mil destes profissionais, ao contrário dos 30 mil que seriam necessários, o que se reflecte na sobrecarga de trabalho, enchentes nos hospitais públicos, demora no atendimento do paciente, pouca qualidade de prestação de serviço, desgaste físico, mental e social do médico em serviço e constantes conflitos entre os utentes e os trabalhadores de saúde.

No comunicado, assinado pelo presidente do SINMEA, Adriano Manuel, e pelo secretário provincial de Luanda, Miguel Sebastião, os sindicalistas reiteram “que está em preparação uma mega manifestação com a participação de médicos, enfermeiros, técnicos de diagnóstico e terapêutica, trabalhadores administrativos, outros sindicatos e população em geral”, com objectivo de apelar à admissão de todos os médicos inscritos na Ordem e que estejam desempregados, bem como integração de enfermeiros e técnicos de diagnóstico.

Os sindicatos da saúde prometem também paralisar todas as actividades após o estado de calamidade se as suas reivindicações não forem atendidas, recordando que estão a aguardar uma posição do Presidente da República, João Lourenço, sobre o manifesto que lhe foi entregue.

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