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Estudantes universitários cépticos com reinício das aulas

Estudantes do ensino superior manifestaram na Quarta-feira cepticismo quanto ao reinício das aulas, previsto para 13 de Julho, considerando que as instituições "não têm material de biossegurança e estruturas físicas para separar as turmas", devido à covid-19.

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O reinício das aulas no ensino superior e no II ciclo do ensino secundário está previsto para 13 de Julho próximo, mas "dependente da evolução da situação epidemiológica" à luz do decreto que determina situação de calamidade pública em Angola.

Segundo o presidente da Associação dos Estudantes das Universidades Privadas de Angola (AEUPA), numa recente reunião os líderes dos estudantes universitários "não concordaram" com o recomeço das aulas por consideraram "muito cedo para preparação das condições".

Para Joaquim Caiombo, que acredita na boa vontade das instituições para garantia do material de biossegurança, os estudantes estão "reticentes pelo facto de haver, mesmo ainda antes da pandemia, instituições que não garantiam material de higienização".

"E num período desse em que as instituições nem sequer têm valores para pagar os funcionários e dependem, exclusivamente, das propinas, acreditamos que será difícil por parte delas, daí a necessidade de elas terem mais tempo para se preparar", disse em declarações à Lusa.

O líder da AEUPA entende que por se tratar de vida a questão do material de biossegurança e a higienização dos espaços deve ser observada com rigor e o tempo de preparação das condições também deve ser equacionado.

As aulas no ensino superior foram suspensas em Março, antes de o Presidente, João Lourenço, decretar o estado de emergência que decorreu entre 27 de Março e 25 de Maio.

Angola observa, desde 26 de Maio, uma situação de calamidade pública para conter a propagação da covid-19.

Joaquim Caiombo questionou ainda como as instituições do ensino superior deverão repartir as turmas para garantia do distanciamento físico, recordando que nos dias normais as turmas "ficam abarrotadas".

"E a nossa dúvida é onde as instituições vão encontrar turmas para separar os alunos", afirmou.

Preocupações sobre a garantia regular do material de biossegurança nas instituições de ensino foram também apresentadas pelo Movimento dos Estudantes Angolanos (MEA) que fala em "alguma lentidão das autoridades" nesse domínio.

De acordo com o presidente do MEA, Francisco Teixeira, escolas públicas do ensino médio e universitário até ao momento não apresentam vestígios de criação de condições para higienização dos estudantes.

"E o que constatamos até ao momento é que nada ainda foi criado, e é sabido que muitas universidades não têm água corrente, muitas são abastecidas por cisternas, esperávamos encontrar já os tambores, mas até agora não há mudança", contou à Lusa.

Reafirmando o ceticismo dos estudantes, Francisco Teixeira disse que dirigentes do ensino público no país "são capazes de criar condições de biossegurança até 30 por cento em escolas do centro das cidades e as da periferia serem abandonadas".

"É assim em Luanda e noutras províncias do país, daí o nosso cepticismo quanto ao cumprimento", acrescentou.

Já a Universidade Agostinho Neto, a mais antiga e maior universidade pública do país, que ministra 45 cursos em nove unidades orgânicas, criou um grupo de trabalho para elaboração de um plano de contingência com vista ao reinício do ano académico.

Segundo o calendário reajustado pelo Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação as aulas recomeçam a 13 de Julho e decorrem até Março de 2021.

A nível global, segundo um balanço da AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 408 mil mortos e infectou mais de 7,1 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

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