Zap aposta na produção de conteúdos como nova área de negócio

A operadora Zap assume uma “aposta estratégica” na produção de conteúdos e ambiciona tornar-se “proximamente” no maior operador de serviços de televisão da lusofonia.
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“Inaugurámos recentemente a nossa produtora em Talatona e até ao final do ano devemos ter cerca de 300 pessoas a trabalhar nesta área de negócio”, disse à Lusa o director-geral da ZAP, José Carlos Lourenço, salientando este factor de diferenciação da oferta face ao concorrente mais directo em Angola (a DSTv, do grupo sul-africano Multichoice).

“A aposta estratégica é que isto seja também um negócio ‘per si’”, revelou o mesmo responsável, salientando que “há um esforço significativo” no sentido de expandir esta área, sem avançar valores de investimento.

José Carlos Lourenço sublinhou que os conteúdos são, “provavelmente, o negócio que tem maior facilidade de internacionalização”, apontando para “os mercados naturais” onde se fala português, não só onde existam comunidades de angolanos ou moçambicanos, mas portugueses em geral.

A operadora de televisão por satélite controlada pela empresária Isabel dos Santos, que iniciou a sua actividade no mercado nacional em Abril de 2010, entrou no mercado moçambicano em 2011 e está presente desde Maio em Portugal.

Conta actualmente com cerca de 1,5 milhões de clientes, pelo que “a manter-se o ritmo de crescimento dos últimos anos” poderá posicionar a Zap, em breve como o maior operador de distribuição de serviços de televisão da lusofonia”, com excepção do Brasil, admite o gestor.

“Se tivermos em conta Portugal, Angola, Moçambique e os outros mais pequenos poderemos vir a ultrapassar os líderes em Portugal, que são a Nos e a Meo, nos serviços de televisão”, acredita o director-geral da ZAP.

Quanto ao aumento de preços que levou a uma intervenção do regulador angolano das comunicações (INACOM) que aplicou uma multa à empresa Finistar (detentora da marca ZAP) por alterar os preços “de modo unilateral”, José Carlos Lourenço adianta que é “uma questão regularizada” e não beliscou a base de clientes.

“Foram alguns meses sensíveis, não é normal um operador de mercado ter de evoluir como fomos obrigados a evoluir naquele contexto”, admite, justificando que a última actualização de preços tinha acontecido em novembro de 2016 e os operadores estavam muito pressionados pela evolução da taxa de câmbio.

“Houve uma grande pressão em 2018, de todos os operadores, para sensibilizar o regulador para que o aumento pudesse concretizar-se. Entrámos em 2019 e a situação continuava a não estar resolvida”, pelo que, apesar de “a porta do diálogo ter estado sempre aberta”, a ZAP sentiu necessidade de tomar uma decisão, que implicou um aumento de preços de 40 por cento.

“Eu diria que a circunstância de, no final do processo, o regulador ter vindo a autorizar que os operadores poderiam fazer um aumento acumulado de 38 por cento deixou absolutamente claro que a atitude da ZAP não ia além da defesa da sustentabilidade do negócio e dos postos de trabalho. Foi percebido que o que a ZAP fez foi numa posição limite”, reforçou o gestor.

José Carlos Lourenço garante que “a perda de clientes foi absolutamente marginal” e neste momento o número de clientes é até superior ao que tinham antes.

Quanto à restituição dos valores cobrados a mais, imposta pelo INACOM, reconhece que “tem algum impacto” (uma vez que a intenção inicial de aumento de 40 por cento ficou pelos 38 por cento), “mas não compromete, no essencial, os objectivos da empresa”.

Além da televisão, a ZAP explora também um complexo de cinemas nos arredores de Luanda, com dez salas e está a avaliar potenciais parcerias” que possam suscitar a abertura de novas salas noutros locais.

José Carlos Lourenço realçou que “há planos de crescimento” para “todas as áreas de negócio” e espera fechar o ano de 2019 sem resultados negativos.

A Zap realizou na Segunda-feira um evento para assinalar a chegada do canal angolano Zap Viva a Portugal que contou com cerca de 250 convidados e um espectáculo com artistas angolanos e portugueses.

O Zap Viva está disponível no pacote base da operadora NOS (cujo principal accionista é a ZOPT, uma holding controlada pela Sonae e por Isabel dos Santos) desde 11 de Maio.

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