Empresários africanos apostam no livre-comércio interno para atrair investimento

Empresários africanos presentes em Moscovo apresentaram o continente como um destino de investimento preferencial, agora com um mercado único de 24 países que permite ter projectos com mais escala.
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África é “mais apelativa ao exterior”, afirmou Benedict Oramah, presidente do Afreximbank, o banco pan-africano com sede no Cairo que tem como principal foco o financiamento e promoção do comércio e investimento no continente.

Moscovo acolhe esta semana os encontros anuais do Afreximbank depois de a Rússia ter entrado no lote de accionistas do banco, em 2017, e num momento em que o Kremlin quer reforçar o comércio externo com África, um continente que tem assistido a uma presença crescente da China. 

No último ano, a União Africana promoveu um tratado de livre-comércio e livre-circulação que já abrange 24 países e entrou em vigor no dia 30 de Maio. 

O empresário do Benim Samuel Dossou-Aworet, responsável por vários investimentos na sub-região, considerou que o acordo irá favorecer as empresas, minimizando o impacto na livre-circulação de pessoas. 

Uma das críticas feitas é o risco de falta de controlo das fronteiras em países com problemas nas estruturas do estado. 

“Na minha região, as pessoas circularam sempre, sem problemas e sem documentos. Não havia fronteiras para as pessoas e agora não vai haver fronteiras para as empresas”, afirmou Samuel Dossou-Aworet.

O empresário angolano Agostinho Kapaia reconheceu que o continente tem “o grande desafio” de “construir um mercado” que seja atractivo ao investimento, principalmente para as empresas locais. 

Por isso, Agostinho Kapaia defendeu uma maior aposta na agroindústria e na produção agrícola porque existe um “imenso mercado em África” que é “necessário alimentar”. 

“Temos de juntar o nosso sector privado para ajudar e dar oportunidades de investimento”, com “linhas de crédito com bons juros”, explicou. 

No encontro, Dmitry Mazepin, presidente da empresa de produtos químicos Uralchem, afirmou que a tecnologia russa pode ajudar a melhorar a produtividade de vários sectores. 

“Estamos em condições para partilhar tecnologia e não apenas em exportar os nossos saberes”, afirmou o empresário, que acredita num novo modelo de parceria entre o seu país e o continente africano. 

“Acredito que as empresas russas em conjunto com empresas africanas podem ajudar na melhoria das condições da agricultura”, exemplificou o empresário.

Três semanas depois de ter entrado em vigor o acordo de livre-comércio continental, que inclui 24 países, o Afreximbank discute a diminuição das barreiras alfandegárias no contexto global e apela à abertura para combater o crescente nacionalismo.

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