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Abandono do edifício do Palácio da Justiça do Mavinga gera indignação

A população mostrou-se indignada com o facto de o Palácio da Justiça do Mavinga, no Cuando Cubango, estar ao abandono há sete anos. Os cidadãos falam em desaproveitamento dos recursos do Estado, que gastou cerca de 400 milhões de kwanzas para erguer a infra-estrutura.

: Adolfo Guerra/DW
Adolfo Guerra/DW  

O Palácio da Justiça do Mavinga – construído para servir, durante 50 anos, os municípios próximos da região – foi inaugurado em 2014. Há sete anos que a infra-estrutura se encontra fechada e ao abandono, apresentando vários sinais de degradação.

De acordo com o DW África, esta situação não tem agradado os moradores da província, que apelam às autoridades para que intervenham rapidamente.

"É um investimento que se fez, e o dinheiro saiu do cofre do Estado", disse o professor João Pedro Samba, morador em Menongue, em declarações ao DW África.

Já Brás Wassuca, estudante universitário e secretário municipal de Menongue da JURA, considerou que a escolha do município para erguer a infra-estrutura não foi a melhor: "O primeiro erro foi construir uma estrutura tão gigantesca em Mavinga".

O estudante explicou que não estavam reunidas condições necessárias para o edifício entrar em funcionamento.

"Hoje vemos que num palácio, que custou muitíssimo dinheiro, não encontramos magistrados mais sim bois. Se cá fora está assim, não sei como estará lá dentro", referiu, citado pelo DW África.

Elias Mavoca Madalena Chingongo, economista, partilha da mesma visão. O responsável questiona como é que um edifício daqueles vai funcionar "enquanto não há estradas entre o município de sede [Menongue] e o município de Mavinga".

Diz ainda que faltou fazer uma análise de viabilidade antes de se avançar com a empreitada.

Jones Paulo, juiz e presidente do tribunal do Cuando Cubango, corrobora com a tese de Elias Chingongo. De acordo com o juiz, o edifício foi construído, "sem que se consultasse os órgãos de justiça local principalmente o tribunal".

"Entre outras dificuldades que esta província tem, há falta de vias de comunicação. Assim, naturalmente não pode haver circulação de pessoas e bens e consequentemente não há desenvolvimento", considera o responsável, também em declarações à DW África.

Por sua vez, Júlio Marcelino Viera Bessa, governador do Cuando Cubango, em entrevista à rádio pública, asseverou que o edifício não foi abandonado e explicou que "o que não está a acontecer é a sua ocupação pelos magistrados".

"O grande calcanhar de Aquiles é a desminagem. Se não se desminar a estrada entre Cuito Cuanavale-Mavinga, nós vamos continuar a assistir a situações deste tipo", avançou.