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Seguradora ENSA regista resultados líquidos de 17,7 mil milhões de kwanzas em 2020

A seguradora estatal ENSA registou em 2020 um resultado líquido de 17,7 mil milhões de kwanzas, reforçando a sua liderança no mercado segurador do país, com uma quota de 37 por cento, foi anunciado esta Segunda-feira.

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O resultado de 2020 foi apresentado, em Luanda, pelo presidente do conselho de administração da ENSA, Carlos Duarte, que o considerou "francamente bom, animador e encorajador", comparativamente com os 9,9 mil milhões de kwanzas em 2019.

Carlos Duarte referiu que os activos da empresa subiram para 195 mil milhões de kwanzas, com um volume de prémios brutos emitidos pela ENSA de 84 mil milhões de kwanzas, representando um aumento de 33 por cento comparativamente a 2019.

"Este é de facto um resultado histórico, é um recorde dos resultados, porque era necessário que a ENSA desse um sinal ao mercado, sobretudo em momentos de recessão económica que tivemos (...), no fundo é a nossa contribuição para afastarmos um pouco esse espectro que assistimos um pouco por todo o lado", referiu.

De acordo com Carlos Duarte, o campeão de vendas continua a ser o seguro de saúde (40 por cento), com liderança substancial no mercado, logo a seguir vem o sector petroquímico (19 por cento) e depois os acidentes de trabalho (16,40 por cento), automóvel (com uma taxa de crescimento negativa de 9,99 por cento) e outros.

"A ENSA foi líder em 2020 nos produtos petroquímica (68 por cento), transportes (47 por cento), saúde (37 por cento), acidentes de trabalho (46 por cento)", apontou.

Contudo, o volume de apólice diminuiu "drasticamente", devido à redução das viagens, por conta da covid-19, tendo-se verificado igualmente um pouco a mesma situação nos automóveis, por conta do confinamento.

No período em referência, a seguradora apresentou ainda como resultados o ROE de 46,6 por cento e uma margem de insolvência de 213 por cento.

O responsável frisou que em 2020 ficou regularizado o défice do Fundo de Pensões da ENSA, uma das grandes preocupações, no montante de 11 mil milhões de kwanzas.

As dívidas reclamadas por clínicas prestadoras de serviços no ramo da saúde e acidente de trabalho, que ascendiam mais de 12 mil milhões de kwanzas ficaram regularizadas "em grande medida", um trabalho que continua ainda a ser feito, mas totalmente saldada com os principais parceiros, informou.

Em 2020, a ENSA renegociou e descontinuou contratos de prestação de serviços, tendo em vista a redução de custos e internalização dos processos na organização.

Segundo Carlos Duarte, a internalização de muitos dos processos de negócio, que eram realizados por empresas de consultoria externa, foi aprofundada, tendo os resultados garantido "poupanças muito substanciais".

"Em termos de custos administrativos houve uma redução, quando o expectável seria que elas aumentassem em função da inflação, mas não, houve uma redução", regozijou-se.

No que se refere às contingências fiscais, que ascendiam a 25 mil milhões de kwanzas, estão a ser totalmente regularizadas e negociadas com a administração fiscal.

"Dívidas de resseguradoras, tínhamos cerca de 8,2 milhões de dólares, referente ao período entre 2016 e 2019, também foram regularizadas", disse Carlos Duarte, acrescentando que foram também certificadas dívidas de prémios emitidos e não cobrados, de 11 mil milhões de kwanzas sobretudo com a administração pública e empresas publicadas também estão a ser resolvidas.

O presidente da ENSA considerou também assinalável o facto de a empresa, com oito reservas de auditoria, ter conseguido, em 2020, reduzir para apenas uma, ligada ao processo de certificação das dívidas que não ficou concluído em 2020, que esperam eliminar até ao final deste ano.

No que se refere à eficácia operacional, a seguradora registou também ganhos assinaláveis com a redução do número de processos em aberto, tendo tramitado no ano passado 5056 processos de sinistros de um total de 9452 processos de sinistros, dos quais 6437 transitados de 2019.

"Tínhamos muitas reclamações nesta área e acho que foi dado um bom progresso", disse o responsável.

Carlos Duarte, face à pandemia de covid-19, admitiu que 2021 é um ano de "muita preocupação, incerteza", em relação à evolução da economia, considerando a necessidade de as empresas se reinventarem, com aposta virada para o teletrabalho.

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