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Presidente da Nigéria defende “pura e simplesmente o cancelamento da dívida”

O Presidente da Nigéria defendeu esta Segunda-feira "pura e simplesmente o cancelamento" da dívida dos países mais vulneráveis para permitir canalizar verbas para fortalecer os sistemas de saúde e combater à pandemia da covid-19.

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De acordo com uma nota do gabinete do chefe de Estado da Nigéria, a maior economia da África subsaariana, Buhari defendeu "pura e simplesmente o cancelamento da dívida" para ajudar os países membros do Movimento dos Países Não Alinhados a lidarem com a pandemia da covid-19.

A declaração de Buhari foi feita durante a sua intervenção na cimeira deste movimento, que reúne 120 países e organizações internacionais, e que foi convocada pelo chefe de Estado do Azerbaijão, a presidência em exercício, para debater o impacto da covid-19.

A Nigéria é um dos países africanos mais endividados e, tal como Angola, enfrenta um choque económico devido à descida dos preços do petróleo e um choque sanitário devido à necessidade de investir nos sistemas de saúde para conter a covid-19.

Segundo a agência de informação financeira Bloomberg, quase metade da dívida pública da Nigéria é devida a credores multilaterais, destacando-se o Banco Mundial com 10 mil milhões de dólares, o Banco de Exportações e Importações da China, com 3,2 mil milhões de dólares, ao passo que os títulos de dívida no mercado comercial (Eurobonds) ascendem a quase 11 mil milhões de dólares, representando cerca de 40 por cento do total da dívida externa.

A declaração do Presidente da Nigéria vai mais longe do que a posição do país em Abril, quando o ministro das Finanças tinha defendido uma suspensão temporária dos pagamentos aos credores multilaterais e bilaterais para combater a propagação da pandemia no país mais populoso do continente.

Na semana passada, o Fundo Monetário Internacional anunciou a entrega de 3,4 mil milhões de dólares em financiamento de emergência para apoiar o sistema de saúde nigeriano no combate à covid-19.

O Movimento dos Países Não Alinhados reuniu-se esta Segunda-feira, através de videoconferência, numa cimeira convocada pelo chefe de Estado do Azerbaijão, Ilham Aliyev, que preside actualmente a organização, para debater a pandemia do novo coronavírus.

Ao anunciar a convocatória da cimeira, a 25 de Abril, Aliyev manifestou a esperança de que o movimento irá tomar decisões importantes para a mobilização dos Estados membros na luta contra o coronavírus, o fortalecimento da solidariedade e o multilateralismo.

O Movimento dos Não Alinhados foi criado em 1955 na sequência de uma reunião da Conferência Ásia-África então realizada em Bandung, na Indonésia e juntou, inicialmente 24 países para debater preocupações comuns e coordenar posições numa altura em que se dava início a vários processos de independência das potências colonizadoras.