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Artistas defendem que é preciso preparar período pós-pandemia

O presidente da União Nacional dos Artistas e Compositores (UNAC), José “Zeca” Moreno, defendeu esta Quarta-feira que é necessário começar a preparar o período pós-pandemia, para projectar o futuro da vida cultural em Angola.

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Zeca Moreno, que falava à Lusa após ser anunciado pela ministra da tutela, Adjany Costa, que serão distribuídas cestas básicas aos artistas mais carenciados, afirmou que esta é uma medida "emergencial", sendo preciso também definir "políticas sustentadas que possam projectar a vida cultural de Angola".

Agentes culturais que foram recebidos na Terça-feira em Luanda pela ministra da Cultura, Turismo e Ambiente de Angola, Adjany Costa, queixaram-se que há artistas a passar fome, devido à pandemia da covid-19, num encontro de auscultação e contribuições sobre medidas de alívio económico no actual contexto.

"Este foi um momento de auscultação, mas nós, na UNAC, somos da opinião que deve haver outro momento para elaborar um programa para o relançamento das actividades culturais no nosso país", sublinhou Zeca Moreno, referindo que a organização vai apresentar propostas às instâncias do Estado.

Antes dos artistas e produtores de espectáculos, Adjany Costa recebeu na Segunda-feira, um grupo de operadores do ramo da hotelaria e turismo, no mesmo âmbito.

No encontro com os artistas e pessoas ligadas à cultura foram várias as questões expostas, desde a falta de alimentos à valorização da classe, passando pelos problemas para o pagamento de impostos e salários.

Na sua intervenção, Adjany Costa concordou com os artistas que chamaram a atenção para o facto de o sector ter sido o primeiro a fechar devido à pandemia e será o último a retomar as suas actividades.

A governante frisou que foram identificadas algumas associações que demonstraram maiores dificuldades, em termos de alimentação, às quais serão distribuídas cestas básicas, financiadas pelo orçamento do ministério.

"É uma medida paliativa, para que a classe continue a viver até conseguirmos criar essa proposta muito mais fundamentada e robusta", disse a ministra aos jornalistas, salientando que o número de pessoas nessas condições é indeterminado.

"Temos cerca de 6600 pessoas inscritas em associações, mas temos muito mais que nem sequer estão inscritas em associações. A classe cultural é uma das maiores do nosso país e é uma das mais menos valorizadas", frisou.

Com base no encontro, foi criado um grupo de trabalho para a elaboração de uma proposta a apresentar ao executivo, com algumas soluções para a saída da crise, disse Adjany Costa, acrescentando que entre Sexta-feira e Segunda-feira a mesma deverá ser submetida para apreciação superior.

No que se refere aos operadores da hotelaria e turismo, a ministra referiu que as medidas paliativas que se encontraram no âmbito do alívio económico para as empresas têm a ver com linhas de crédito e linhas de financiamento.

"No entanto, essas temos a certeza e já revimos, quer pelo lado do Governo, quer pelo lado dos fazedores do turismo, que não são suficientes e não são realísticas para as condições económicas que estamos a sofrer neste momento. Daí o grupo de trabalho ser muito importante para se encontrar um meio termo, que seja aplicado para os mesmos", disse.

Sobre o sector da cultura, a ministra disse que é preciso "parar de ver os artistas como pedintes, deslocados, desempregados" e passar a valorizar o seu trabalho.

"Temos que parar com isso, mas temos que criar sistemas funcionais, não vai ser um mar de rosas porque muita gente vai sentir-se excluída, muita gente vai sentir que as competências do ministério já não são as que deviam ser, porque certamente foram criados vícios, por causa da questão de ser pedinte, por causa da questão de não dar a valorização correta aos artistas para a sua própria independência económica", realçou.

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