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Como está África a preparar-se para a era da autonomia automóvel?


Como está África a preparar-se para a era da autonomia automóvel?

Michel Pedro

Michel Pedro é jornalista na revista Economia e Mercado

O assunto goza de uma seriedade enorme, mas não se ouvem debates em relação às últimas transformações que tendem a inundar o mundo dos transportes que consequentemente elevará a economia e a segurança mundial a outro nível.
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Trata-se da tecnologia que actualmente se aplica aos automóveis, o funcionamento com a electricidade. Baterias podem ser carregadas com a electricidade convencional ou até mesmo com a energia solar.

A tecnologia dos carros eléctricos, ou mesmo autónomos, tem dado passos significantes para o desenvolvimento afectando consequentemente na produção de automóveis que tradicionalmente usam energias fósseis, o que implica a diminuição no consumo destas energias (gasolina e gasóleo).

É exactamente este facto que deve preocupar os Estados africanos que maioritariamente são produtores de petróleo, que obviamente verão baixar tragicamente as suas economias com uma provável queda de mais de 41,86% nos preços do barril de petróleo, se termos em conta que os automóveis são os que mais utilizam energias fósseis.

E a maior parte das energias fósseis são exploradas em África. A utilização da gasolina e do gasóleo e outros derivados do petróleo pode ter atingido uma queda considerável na Europa, América e Ásia.

Num futuro próximo a outras industrias, como as de aviação e marítima poderão aderir à esta tecnologia.

Como está a África a preparar-se? Segundo o economista e professor Tony Seba “O preço do petróleo vai cair para os 22 euros por barril. A Rússia, Arábia Saudita, Nigéria e a Venezuela vão ficar em apuros”, bem eu acrescento, África estará em apuros.

Seba admite que dentro de um prazo de 8 anos os carros, autocarros e camiões a gasolina e a diesel vão se tornar obsoletos, o que implicará menos receitas para maior parte dos países africanos, como é o caso de Angola.

A África não tem acompanhado e/ou tentar adaptar-se às nossas tendências tecnológicas, pelo que se pode afirmar que se o continente berço não se preparar agora, os problemas futuros subirão a cabeça de qualquer um, quando não poder comprar um carro devido a falta de postos de carregamento de carros eléctricos e na possível escassez que irá se registar nos automóveis que usam combustíveis fósseis.

Para Seba, esta é uma ameaça real para a Ford, a General Motors e para a indústria automóvel alemã. eu digo o contrário, a ameaça é para a África que assista pacificamente a complexa metamorfose da indústria automóvel.

Penso que mesmo não produzindo, deveríamos estar a nos preparar do ponto de vista de criação de condições que agreguem tais tecnologias para o nosso continente. Os esforços na melhoria da produção de energia devem ser redobrados, pois o continente ainda apresenta sérias dificuldades de electricidade com mais de 70% da sua população às escuras.

Esta era poderá ser complicada para o continente, mas não nos esqueçamos da riqueza hidrográfica que África possui e das várias fontes alternativas de produção de electricidade que dispõe.

 

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