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Telecomunicações

Falta de concorrência trava desenvolvimento no sector das telecomunicações

A falta de concorrência e problemas eléctricos ainda são os principais factores de impedimento para o desenvolvimento do sector das telecomunicações, que nos últimos anos fez progressos sobretudo no ramo das comunicações móveis.

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Estes problemas foram indicados no primeiro fórum Telecom dedicado ao tema "O Estado de Arte das Telecomunicações em Angola", realizado em Luanda e promovido pelo semanário Expansão, no qual intervieram responsáveis de várias empresas do ramo.

Em declarações à imprensa, à margem do fórum, o director do jornal Expansão, Carlos Rosado de Carvalho, defendeu que é necessário que haja concorrência, porque os preços praticados em Angola ainda são superiores, por exemplo, à média da Comunidade de Países de Desenvolvimento da África Austral (SADC).

"É preciso que o sector das telecomunicações em Angola também tenha mais concorrência e sobretudo, nas telecomunicações móveis, em que nós, por exemplo, temos apenas dois operadores, a MOVICEL e a UNITEL, mas de facto é praticamente um monopólio, porque a UNITEL controla 80 por cento do mercado", considerou o economista.

Frisando que as telecomunicações são fundamentais para o desenvolvimento do país e para a melhoria da competitividade, Carlos Rosado de Carvalho considerou os preços praticados em Angola "uma barreira" no acesso de pessoas ou empresas às telecomunicações.

Ainda sobre a concorrência, o também economista e professor universitário defendeu que é preciso clarificar o sector e a entrada de um operador estrangeiro no mercado, que possa "aumentar a concorrência que no sector faz falta".

"São sectores que exigem fortes investimentos. Nós precisamos não apenas do 'know-how', precisamos de dinheiro (...) acho que um operador estrangeiro dessas multinacionais poderia contribuir para dinamizar, e muito, o sector, porque traria tecnologia, traria 'know-how' de gestão, traria também capital e sem concorrência não vai haver baixas de preços", salientou Rosado de Carvalho.

O director do semanário Expansão defendeu ainda que o sector das telecomunicações tem tido um "desempenho notável" em Angola, mesmo com falhas aos olhos dos utilizadores, implicitamente ligadas aos problemas de energia.

"Muitas das falhas que acontecem no sector das telecomunicações não são de facto falhas do sector das telecomunicações. Este é um sector que depende muito da energia, sem energia não há telecomunicações, e todos nós sabemos os problemas que passamos em casa e é uma das razões de queixa que os operadores têm, que os utilizadores das telecomunicações têm é justamente a questão da energia", referiu.

No domínio das infraestruturas, considerou que se houve alguma coisa que resultou no sector das telecomunicações, foram os investimentos feitos, realçando os projectos da Angola Cables e do satélite angolano.

"No caso da Angola Cables estamos a falar de cabos submarinos que vão ligar Angola à América do Sul e depois também à América do Norte. O objectivo da Angola Cables é de alguma maneira transformar Angola num 'hub' de telecomunicações", afirmou.

O fórum teve como objectivo suscitar o debate sobre o sector e aumentar a transparência com a divulgação dos dados, explicou Carlos Rosado de Carvalho.