Banco Nacional de Angola quer polícia a travar venda de dólares na rua

O Banco Nacional de Angola quer a polícia a combater a venda ilegal de dólares nas ruas, a única forma de acesso a divisas no país, mas que são transaccionadas três vezes acima da taxa de câmbio oficial.
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A posição vem expressa na mais recente nota mensal do Comité de Política Monetária do BNA e confirma os receios com que muitas destas 'kinguilas' [mulheres que se dedicam a esta actividade] já estão a tratar o negócio, ilegal, já que não pagam impostos ou declaram as compras e vendas.

Aquele órgão do Banco Nacional de Angola (BNA) recomendou agora "às autoridades competentes maior controlo e responsabilização dos agentes promotores do mercado informal de moeda estrangeira", ao mesmo tempo que pretende que a supervisão do banco central seja "mais actuante e enérgica na preservação da ética e cumprimento das normas do sistema financeiro".

Conforme a Lusa constatou em rondas nos últimos dias, as 'kinguilas' tentam agora não fazer as transacções nas ruas e antes em casas, mais resguardadas, onde negoceiam com os clientes. Antes ainda tentam confirmar o real interesse dos compradores, receando tratar-se de agentes policiais, conforme algumas descreveram à Lusa, sempre sob anonimato.

Dependendo das zonas de Luanda, estas mulheres já transaccionam cada nota de dólar norte-americano a mais de 500 kwanzas, quando a taxa de câmbio oficial ronda os 166 kwanzas, tendo em conta a elevada procura por dólares e a cada vez mais reduzida oferta.

A crise cambial que o nosso país atravessa, decorrente da quebra na cotação do petróleo, tornou praticamente impossível a compra de dólares aos balcões comerciais. Neste contexto, a opção pelo mercado de rua tem sido o último recurso para estrangeiros e nacionais, que necessitam de sair do país com divisas, apesar de as taxas de câmbio nunca terem sido tão altas.

A nota do CPM refere que "face à escassez de divisas que se observa na economia" angolana, os bancos comerciais devem fazer "uma afectação criteriosa dos escassos recursos disponíveis de maneira a contribuírem para a satisfação das necessidades essenciais da população", dentro das "prioridades definidas pelo Executivo".

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