Taxistas angolanos preparam aumentos após subida dos combustíveis

Os representantes do sector dos transportes públicos de Angola estão a negociar com o Ministério das Finanças o aumento das tarifas das "corridas", depois de os combustíveis terem subido cerca de 100 por cento em sete meses.
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O último dos três aumentos dos preços dos combustíveis, provocado pela redução na subvenção do Estado, aconteceu na noite de 30 de Abril, mas a tarifa oficial nos 'candongueiros' permanece nos 100 kwanzas por viagem.

O preço desta "corrida" está hoje abaixo do litro de gasolina na venda ao público, que agora é de 115 kwanzas, e ligeiramente acima do de gasóleo, comercializado a 90 kwanzas.

Apesar do apelo lançado esta semana pelo presidente da Associação de Taxistas de Luanda, Manuel Faustino, contra a "especulação nos preços", na capital já surgem relatos de "corridas" mais curtas e aumentos de preço, apesar de as tarifas terem um valor oficial.

"Estamos preocupados com os aumentos dos combustíveis, já que hoje o combustível chega a ser mais caro do que a nossa tarifa", apontou Manuel Faustino, que na segunda-feira iniciou contactos com o Ministério das Finanças para analisar o assunto.

Os profissionais do táxi defendem que a estrutura de custos deste serviço foi fortemente alterada nos últimos meses, pelo que é necessário "actualizar as tarifas".

Nos últimos sete meses, o preço do litro de gasolina subiu 91 por cento, enquanto o do gasóleo aumentou 125 por cento.

Os preços dos combustíveis - tabelados pelo Governo - estavam inalterados desde 2010, quando, em Setembro último, se deu o primeiro aumento, com o Estado a começar a reduzir os subsídios. Até às 23h00 de 30 de Abril, o litro de gasolina estava a ser vendido a 90 kwanzas e o de gasóleo a 60 kwanzas.

Com esta nova alteração, a gasolina passou a ser vendida em regime de preço livre, até 115 kwanzas por litro, sem qualquer subvenção estatal. A medida foi justificada pelo Governo com a "conjuntura da economia nacional e global", pela necessidade de aplicar "políticas centradas na promoção do crescimento económico" e de criar "condições básicas" à execução dos principias projectos nacionais, tendo em conta a actual crise do cotação do petróleo.

Angola é o segundo maior produtor de petróleo da África subsaariana, garantindo 1,8 milhões de barris por dia, mas devido à falta de capacidade nacional de refinação, o país precisa de importar grande parte dos combustíveis de consumo.

Em contrapartida, este processo é subsidiado por apoios públicos, de forma a manter os preços de venda artificialmente baixos, mas com custos acima dos 3,5 mil milhões de euros por ano.

Com esta nova subida dos combustíveis, o executivo afirma o propósito de "aumentar a qualidade da despesa pública", em linha com recomendações recentes do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial.

Apesar da subida, o preço do litro do gasóleo continua a ser subsidiado pelo Estado em 21,06 por cento. Já o quilograma do gás doméstico, que passou a custar 55 kwanzas mantém uma subvenção pública de 67,15 por cento do preço e o litro de petróleo iluminante, que passou a ser vendido a 45 kwanzas de 44,41 por cento.

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