Enfermeiros garantem 96 por cento das consultas de saúde em Luanda

A esmagadora maioria das consultas realizadas nas unidades de saúde da capital angolana são feitas por enfermeiros, revelou fonte do gabinete provincial de saúde da província.
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Segundo a chefe do departamento de inspecção do gabinete provincial de Saúde de Luanda, Paula Silva, que falava por ocasião do Dia Internacional dos Enfermeiros, 96 por cento dessas consultas são feitas precisamente por estes profissionais. "Isso significa que estamos todos entrelaçados, temos uma caminhada longa, onde cada um de nós tem que compreender o próximo para assim podermos analisar com muito amor toda a nossa actividade", realçou a responsável.

De acordo com dados da Ordem dos Médicos de Angola, o número de médicos a trabalhar no país é de um clínico por cada oito mil habitantes. Por outro lado, o país conta com 37.720 enfermeiros, dos quais 8700 estão em Luanda.

Em declarações à agência Lusa, o secretário-geral do sindicato de enfermeiros, António Afonso Kileba, disse que a situação destes profissionais em Angola tende a "piorar". Segundo o responsável, a falta de condições de trabalho e a baixa remuneração dos profissionais tem sido o principal factor desmotivante da classe. "Nesta altura, os profissionais de saúde dos municípios da Samba, do Kilamba Kiaxi e de Belas estão com o seu salário do mês passado em atraso, e alguns deles são credores bancários. Estes estão com a moral baixa", frisou.

António Afonso Kileba disse ainda que a primeira secretária da comissão sindical do município da Samba informou que pode ser despoletada uma greve na próxima sexta-feira, caso a situação não seja resolvida até esta quarta-feira. O sindicalista disse que foi solicitado um encontro com o governador da província de Luanda e com a directora provincial de Saúde de Luanda para quinta-feira, para abordar a situação. "Solicitamos o encontro para revermos o processo reivindicativo de 2012 e esperamos que desta reunião venham a sair bons resultados para motivar os trabalhadores", sublinhou.

António Afonso Kileba garantiu ainda que o número de enfermeiros ao serviço em Angola não é o suficiente para atender à demanda. Esses profissionais chegam a atender diariamente entre 50 a 100 pacientes, frisou o sindicalista, sem estarem legalmente habilitados para o efeito.

Entretanto, desde 2012 existe um acordo que prevê um aumento de 40 por cento do salário base para o enfermeiro que realiza tarefas que não são de sua competência. "Mas desde 2012, quando este acordo foi assinado, até à data presente nenhum desses profissionais viu a cor desse valor", lamentou. Caso a situação se mantenha, António Afonso Kileba recordou que numa plenária realizada no dia 26 de Abril passado, os sindicalistas de Luanda fizeram uma declaração em que apontam o fim deste mês para o cumprimento dos compromissos assumidos, podendo depois Angola, o segundo maior produtor de petróleo da África subsaariana, teve de importar cerca de 40 por cento das necessidades de produtos derivados, como gasolina e gasóleo, devido à reduzida capacidade de refinação do país.

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