Projecto angolano de assistência médica remota pode receber apoios da Bayer

A multinacional Bayer pretende apoiar, com a divulgação e testes, o Kit Diagnóstico Médico Móvel (KDMM), um projecto de assistência médica remota desenvolvido por três estudantes angolanos, confirmou em Luanda, a farmacêutica alemã.
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O KDMM está a ser ultimado desde Novembro por alunos do curso de Engenharia Informática da Universidade Metodista, em Luanda, cujo protótipo já venceu, no mês passado, a final nacional do concurso internacional de tecnologia "Imagine Cup Angola 2015", da multinacional Microsoft. Trata-se de um dispositivo electrónico móvel para recolher, monitorizar e interpretar vários indicadores do corpo humano, permitindo levar cuidados de saúde em formato virtual às populações mais isoladas e carenciadas do país.

Numa reunião realizada esta quinta-feira na capital angolana com os estudantes envolvidos no projecto, a Bayer manteve o primeiro contacto com o protótipo, que acredita ter "tudo para dar certo". Em declarações à agência Lusa, a representante da multinacional alemã em Angola, Sofia Coriel, disse que a Bayer pretende saber em que ponto se encontra o projecto, antes de avançar com o apoio, que pode começar a nível dos testes do aparelho e com a sua divulgação no seio da comunidade médica.

Segundo Sofia Coriel, a ideia é, através destes testes, melhorar o projecto, que poderá vir a ser patrocinado pela Bayer, "mas mais para a frente". "O ensaio é ainda muito básico, ainda é o início de tudo, mas que tem muita coisa para dar certo e avalio como algo positivo", referiu Sofia Coriel, reconhecendo que a importância do projecto é mais acentuada em Angola, onde muitas vezes o acesso à saúde, no interior, é difícil.

"Sabemos que a população nem sempre consegue deslocar-se em determinadas zonas ao hospital principal da província e realmente vai haver aqui uma rede de comunicação, hoje em dia estamos no ano das comunicações, e acho que será uma mais-valia para todos", frisou. Acrescentou que é a primeira vez que a Bayer tem contacto com um projecto do género, de carácter inovador, em Angola, daí este interesse.

Por seu turno, Adilson Mauro, que lidera o grupo de três estudantes autores do KDMM, manifestou o seu regozijo pelo interesse da Bayer, apontando o interesse em melhorar o projecto. "Ainda há muita coisa a melhorar, para ter noção, temos três módulos, a clínica virtual, o módulo que vamos implementar nas comunas, nas ambulâncias e qualquer um deles tem a sua importância e o seu tamanho de resolução", explicou.

O KDMM vai permitir consultas virtuais, à distância, com o médico a analisar os dados dos sensores, recolhidos pelo equipamento e que ficam armazenados numa 'cloud'. Posteriormente, essa análise será feita pelo próprio ‘kit’, despistando na hora alguns problemas básicos do paciente, como a malária ou hipertensão.

O projecto, sob orientação de um docente daquela universidade, recorre a um equipamento com dez sensores, de tensão arterial, temperatura do corpo ou batimentos cardíacos, entre outros. A informação recolhida é tratada por um microcomputador de baixo custo, sendo depois enviada por internet para um servidor, para poder ser analisada por um médico.

Paralelamente, existe ainda uma aplicação, desenvolvida no âmbito deste projecto, também com versão para telemóveis, para registar o paciente e complementar o diagnóstico.

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