Rita GT: Bienal de Veneza é “oportunidade” para mostrar o melhor da arte contemporânea angolana

Uma jovem artista de Viana do Castelo, Portugal, radicada em Angola e que se descreve como "activista cultural", é a "orgulhosa" comissária da representação angolana na 56.ª edição da Bienal Internacional de Arte de Veneza, que arrancou no passado sábado, dia 09.
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Aos 34 anos, Rita Guedes Tavares, ou artisticamente RitaGT, é coordenadora do projecto E.studio, um movimento cultural e artístico em Luanda que lhe valeu o convite do curador do pavilhão angolano em Veneza, António Ole.

"Como comissária, organizo todas as logísticas e produção. Somos uma equipa bastante pequena, por isso acabo por fazer um pouco de tudo. Também, como sou artista, é-me mais fácil saber lidar com todos os preparativos da exposição, embora com este projecto tenha estado a aprender imenso", assume RitaGT, em entrevista à Lusa a partir de Veneza.

A participação angolana nesta 56.ª edição da mítica bienal de arte italiana vai apresentar um "diálogo geracional", integrando vários jovens criadores nacionais, tendo a responsabilidade de estar à altura da de 2013, quando o país recebeu o Leão de Ouro.

Ausente de Viana do Castelo, no Norte de Portugal, há oito anos, Rita passou por vários países até se fixar em Luanda, em Fevereiro de 2012, por pesquisa de trabalho e seguindo a família angolana.

"Desde que me mudei para Angola tenho-me tornado, no que chamo provisoriamente, uma activista cultural, e por isso, o meu processo criativo passa por curadoria, produção e comissariado de outros colegas artistas. Interessa-me contribuir para o estímulo intelectual e conceptual da produção de arte contemporânea", explica.

A representação angolana em Veneza envolve uma exposição colectiva que, segundo o curador António Ole, assenta metaforicamente numa "viagem no espaço e no tempo" da arte angolana.

"E, em simultâneo, estabelece um diálogo com uma geração de jovens artistas angolanos, numa espécie de passagem de testemunho", explica o artista plástico, próximo de comemorar meio século de actividade, aquando da apresentação da participação angolana no certame, que em 2015 assinala 120 anos.

Além de António Ole - que participou em 2003 e 2010 a título pessoal -, que é também curador, a representação angolana conta com trabalhos de Binelde Hircan (vídeo), Délio Jesse (fotografia), Francisco Vidal (pintura sobre catanas) e Nelo Teixeira (escultor em madeira), todos jovens artistas.

"Esta exposição consegue expressar o movimento dos jovens artistas angolanos, que é um movimento de muita força e muito estimulante. Interessa-nos desenvolver arte como pensamento crítico e os nossos trabalhos reflectem ideias, questões, conceitos. A carga intelectual do nosso trabalho é a nossa força", explica a "comissária" RitaGT.

A 56.ª Exposição Internacional de Arte, Bienal de Veneza 2015, cujo curador geral é Okwui Enwezor, terá como tema "All the World's Futures" ("Todos os Futuros do Mundo", em tradução livre), e vai decorrer entre sábado, abertura para o público, e 22 de Novembro de 2015.

Quanto a RitaGT, garante tratar-se de uma "oportunidade" para "partilhar o que de melhor se produz de arte contemporânea angolana", das ideologias aos conceitos.

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