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Política

Politólogo alerta para “problemas estruturais” no país durante o estado de emergência

O politólogo Hotalide Domingos alertou na Sexta-feira as autoridades para terem em conta as especificidades do país, sobretudo os "problemas estruturais como a pobreza, degradação social e saneamento básico", na materialização do estado de emergência devido à covid-19.

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Para o politólogo, que aplaude, no entanto, o estado de emergência, que fez na Sexta-feira uma semana, considerando-a "uma medida acertada", o actual contexto de excepção em Angola surge num momento em que "as especificidades do país comprometem a sua eficácia".

Em declarações à Lusa, Hotalide Domingos sublinhou que, diferente do contexto europeu, Angola tem "alguns problemas estruturais que impossibilitam o alcance do estado de emergência como tal".

"Porque as pessoas vivem num contexto de profunda degradação, deterioração das instituições", assinalou, afirmando que o Estado "tem grandes problemas" em assegurar algumas condições básicas das populações.

O estado de emergência de 15 dias prorrogáveis decorre até 11 de Abril.

Interdição da circulação de pessoas e de viaturas na via pública para se evitar aglomerações são algumas das medidas que, no entanto, têm sido violadas diariamente pelos cidadãos, segundo as autoridades.

Algumas dezenas de pessoas foram já detidas, e outras julgadas, por desobediência à condição excepcional que o país vive.

Segundo o politólogo, as pessoas que saem à rua "não o fazem porque querem, mas para sobreviver", devido a sua condição de pobreza, pedindo atenção aos agentes do Estado na sua abordagem e procedimentos.

Além do reforço da educação e informação sobre as medidas de prevenção e a necessidade do isolamento, frisou, o Estado "deve também assegurar as condições elementares para que as pessoas fiquem em casa".

"A atenção deve ser aos mais vulneráveis, não deixando ninguém para atrás, porque são eles que mais sofrem com este estado de emergência, porque são os mais embaraçados", apontou.

Em relação à abordagem sobre a contenção da pandemia, o também membro da Associação Angolana de Ciência Política referiu que as medidas a nível de África, em particular em Angola, "estão alinhadas" ao contexto mundial.

Mas, observou, é necessário que se olhem para as especificidades sobretudo de Angola, porque existem "ainda grandes problemas estruturais que se não forem compreendidos na abordagem das forças que vão garantir o sucesso do estado de emergência podem agravar mais a situação de pobreza e de escassez de comida".

"E então, essa decisão do Governo foi a mais acertada, mas deve-se, na abordagem aos problemas e, sobretudo, os procedimentos para a sua materialização, ter-se em conta as especificidades", insistiu.

Porque, notou, existem "graves problemas estruturais" que já ocorriam "antes da pandemia", concluiu o politólogo.