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Opinião A Opinião de Janísio Salomão

Capital intelectual: o intangível das empresas do século XXI

Janísio Salomão

Mestre em Administração de Empresas, Consultor Empresarial e Técnico Oficial de Contas

Até o século XX, o principal activo de grande relevância para as empresas era o capital financeiro, imóveis, móveis, as máquinas e equipamentos. Com o passar dos anos e com a evolução da ciência e da tecnologia, as empresas vivem actualmente uma nova era, considerada como a “era do conhecimento” a qual, o capital intelectual é considerado como um dos principais activos e desempenha um papel fulcral e determinante no sucesso das organizações.

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Evidentemente que, as empresas optam pela maximização dos lucros, e o mesmo, continua a ser um dos principais indicadores para mensurar ou aferir o bom desempenho e sucesso das empresas, importa realçar que não podemos nos esquecer que grande parte deste sucesso é dirigido e implementado pelos recursos humanos da organização que detêm o capital intelectual o grande intangível da Empresa, que muitas das vezes existe uma complexidade em mensura–lo.

Nonaka & Takeuchi (1997)[1], apresentam um conceito mais abrangente, para os autores, o capital intelectual, é um activo intangível,  que as pessoas de uma determinada organização possuem dentro das suas cabeças, ou em documentos gerados, tais como: relatórios, arquivos electrónicos, memorandos, e de maneira especial em sua prática, corresponde ao conhecimento explícito, concreto e ao conhecimento tácito, intuitivo.

Stewart (1998)[2] realça que, a propriedade intelectual pode ser usada para gerar riqueza, o capital intelectual constitui destarte a matéria intelectual, o conhecimento e informação.

O capital intelectual pode também ser entendido segundo a perspectiva de Lopez & Ibarra (2000)[3] como um conjunto de activos que embora não fazem parte das Demonstrações Contabilísticas tradicionais, geram valor para a empresa, ou seja, o conhecimento pode gerar lucro, fazem parte do capital intelectual: ideias, invenções, projectos, processos e experiências, etc.

Para muitas organizações, os gastos relacionadas com formação, cursos técnicos ou updating, constituem um desperdício para muitas organizações, que, no entanto vedam –se ou quase não realizam capacitações para o seu pessoal. Julgamos ser um pensamento que não se coaduna com os tempos actuais, pois as formações devem ser encaradas como um investimento para o pessoal que a curto e médio prazo trarão ganhos significativos para a empresa, através da melhoria da produtividade e eficácia por parte do funcionário.

Drucker[4] defendia que, o verdadeiro investimento na era do conhecimento, não é em máquinas e ferramentas, mas no conhecimento do trabalhador, pois o conhecimento constitui um factor decisivo e critico no sucesso das organizações.

Fruto da globalização e com o avanço da tecnologia, a ciência contabilística teve que se adaptar a realidade do momento em que o intangível “conhecimento” passou a estar no foco das descobertas de muitas organizações.

Actualmente existem empresas que o capital intelectual suplanta o capital financeiro, chegando o mesmo a valer milhões e milhões;

No entanto, é importante que hodiernamente, os gestores do século 21 encarrem de outra forma o capital humano dentro da organização, passando a valoriza – los, criando condições de trabalho, que permitam um desenvolvimento contínuo das suas habilidades individuais, pois o mesmo constitui um factor determinante para o sucesso das empresas.



[1] Nonaka, Ikujiro; Takeuchi, Irotaka. Criação de Conhecimento na Empresa – Como as Empresas Japonesas Geram a Dinâmica de Inovação. Rio de Janeiro: Campus, 1997.

[2] Stewart, Thomas A. Capital Intelectual – A Nova Vantagem Competitiva das Empresas. Rio de Janeiro: Campus, 1998.

[3] Alvarez Lopez, José; Blanco Ibarra, Felipe. (1989): “Introdução a contabilidade directiva: Diagnóstico, Planificação e controlo”, Editorial Donostiarra, San Sebastian, 2000.

[4] Drucker, Peter Ferdinand. Administrando em Tempos de Grandes Mudanças. São Paulo. Pioneira, 1999.

 

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