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Gourmandise Chocolates quer abrir uma filial no Gana ainda este ano

A operar no mercado há cerca de uma década, a primeira marca de chocolates angolanos, a Gourmandise Chocolates, tem visto a sua produção condicionada pela dificuldade em importar matéria-prima. Contudo, apesar dos obstáculos, a empresa quer expandir o seu negócio, ainda este ano, para o Gana.

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Em 2020, a empresa viveu tempos atribulados com a chegada da covid-19. A facturação diminuiu para metade, o número de encomendas baixou e a obtenção de matéria-prima para continuar a produzir também foi condicionada.

No entanto, apesar dos obstáculos, a empresa tem na mira a expansão do negócio. A Gourmandise quer, ainda este ano, abrir uma filial no Gana. "É um projecto já em andamento. Se tudo correr como previsto, ainda este ano terá a nossa marca à venda em Acra", frisou, citada pelo Expansão.

Além da expansão do negócio além-fronteiras, a empresa pretende alargar a sua marca a outras províncias do país: "Seria o ano passado, contudo, tivemos de adiar os nossos planos e, se tudo correr bem, entre o final deste ano e o próximo".

Em 2019, a Gourmandise teve um aumento significativo na produção, mas, apesar do crescimento, os números continuam condicionados pela importação de cacau transformado: cerca de 80 por cento do cacau usado pela marca no fabrico de chocolates vem de fora, uma vez que o país não consegue produzir cacau em números suficientes para dar resposta à demanda.

Segundo a dona da empresa, Song Livramento, a lista de fornecedores de cacau é liderada pelo Gana. Citada pelo Expansão, a responsável fez saber que os equipamentos da empresa foram importados dos Estados Unidos da América e da Europa.

Contudo, a Gourmandise também usa produtos nacionais: é o caso do chá de caxinde, tamarindo, café, gengibre, entre outros produtos para fazer os recheios dos chocolates.

Revelou ainda que os principais clientes da Gourmandise são empresas, floristas e um conjunto de pessoas individuais que fazem encomendas com frequência. O número de encomendas baixou com o aparecimento da covid-19 e a obtenção de matéria-prima para continuar a produzir também foi condicionada, adiantou.

"No início foi difícil ter de fechar a loja e depois gerir a segurança dos nossos trabalhadores e clientes, pois sempre havia o receio dos métodos usados não serem suficientes", avançou a proprietária.

No entanto, o maior desafio da empresa está ligado com a importação de cacau. Com a pandemia, as taxas de envio foram aumentadas, levando a empresa a repensar nos produtos e nos seus preços. Também a desvalorização do kwanza não tem ajudado com a importação da matéria-prima.

Song Livramento revelou que os preços dos chocolates variam consoante o seu tipo e a embalagem, referindo que os preços podem varia entre os 3000 e 26 mil kwanzas.

Avançou que a empresa, que suspendeu brevemente os trabalhos para sofrer uma restruturação na sua gestão, estima que os chocolates voltem a ser vendidos entre Abril e Maio deste ano.

Com um capital inicial de 20 milhões de kwanzas, a Gourmandise Chocolates espera recuperar o investimento durante os próximos dois anos. Em 2019, os números parecem ter caminhado nesse sentido: a empresa teve um volume de negócios na ordem das duas toneladas de chocolates (correspondente a cerca de 20 mil tabletes de chocolate de 100 gramas). A sua facturação também registou uma melhoria, tendo entre Fevereiro e Dezembro se fixado em um milhão de kwanzas.

Contudo, o ano passado os números sofreram uma quebra devido à pandemia de covid-19. A empresa teve menos metade da facturação registada no ano anterior, tendo amealhado 500 mil kwanzas.

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