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“Faça Por Angola”: Profissionais de saúde únem-se para ajudar país a prevenir a Covid-19

Numa altura em que o mundo se depara com a pandemia da Covid-19 e que todos os países têm adoptado medidas mais rigorosas para combater a propagação do coronavírus, Angola têm-se mostrado exemplar: ainda sem casos positivos de Covid-19, o Governo já adoptou um conjunto de medidas que pretendem diminuir o risco de o vírus chegar ao país.

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Agora é a vez da população se unir e lutar contra a propagação desta pandemia: foi criada uma campanha, apelidada "Faço Por Angola", que tem como objectivo reforçar as equipas de profissionais de saúde e, consequentemente, ajudar na assistência médica da população, caso a epidemia chegue ao nosso país.

Em declarações ao VerAngola, Kiassekoka Ndolumingo, um dos profissionais de saúde envolvidos na campanha, explicou que tudo surgiu "de forma natural", assegurando que o objectivo principal do projecto é "ajudar o país e o Governo na prevenção contra possíveis contaminações caso haja a declaração de casos positivos no nosso país".

"Somos técnicos de saúde formados no país e ele chama-nos, certamente como patriotas queremos obedecer ao chamado", completou.

Ainda numa fase muito inicial, o projecto está a ser levado a cabo pela organização sem fins lucrativos LAE-EFTSB - dedicada a ajudar as populações rurais e suburbanas.

Mas no fundo em que consiste? "A campanha visa a mobilização dos profissionais de saúde voluntários para junto dos angolanos e do Governo de Angola" para "combatermos de forma preventiva o COVID-19 e, na eventualidade de existirem casos positivos no nosso país, apoiar as estruturas do Estado, naquilo que for possível", elucidou o especialista.

Para já o projecto ainda não conta com o apoio do Governo, mas Kiassekoka Ndolumingo acredita que este "terá uma influência sobre o sistema de saúde, visto que um dos principais problemas do sistema é a falta de quadros humanos". Na "devida altura" o executivo mostrará o seu apoio, afirmou.

De acordo com Kiassekoka Ndolumingo, a campanha vai ser dividida em duas fases: a primeira, que já se encontra em curso nas redes sociais, serve para chamar "o maior número de profissionais de saúde" a aderir. Já a segunda fase será mais burocrática, uma vez que todos os interessados serão chamados a deslocarem-se até um local físico para preencher o formulário de adesão e a receber um "ID como identidade do voluntário".

E a adesão tem sido muito positiva. Aos olhos do responsável, a campanha já é um sucesso, uma vez que desde as primeiras horas do lançamento que os profissionais têm estado "a aderir em massa".

No entanto, considerou que para já ainda é precoce falar nos números de profissionais que já fazem parte da 'Faço por Angola'. "Contamos atingir até à segunda fase da campanha mais de 1000 profissionais de saúde, formados nas várias escolas técnicas de saúde pública e privadas. Pretendemos contar com todos e a todos os níveis, do médico ao catalogador. Todos são importantes e indispensáveis", disse ao VerAngola.

Em termos logísticos, o responsável referiu que o projecto precisará dos produtos básicos de protecção, como luvas e máscaras, uma vez que os voluntários vão estar a "prestar assistência técnica e médica" à população. Os apoios por parte dos "órgãos centrais e locais do Estado e entes privados" também serão importantes para que, mais à frente, o projecto consiga avançar.

Relativamente ao panorama geral do Covid-19 em Angola, o especialista frisou que a maior preocupação, por agora, é combater a propagação de informações falsas: "Sabendo da não existência de casos positivos no nosso país, a minha maior preocupação está na questão das falsas informações que andam a circular nas redes sociais. Há muita desinformação a circular e é preocupante".

O responsável considerou ainda que a possível "escassez dos materiais de protecção individual como máscaras, luvas e desinfectantes" também poderá levantar alguma preocupação, mas diz estar optimista, considerando que as mais recentes medidas adoptadas pelo executivo foram o passo mais prudente a tomar nesta altura.

Caso esteja interessado em aderir a esta campanha poderá fazê-lo enviando o seu nome completo, profissão, número de telefone e morada para estes números: 938 352 200, 995 724 569, 990 094 995, 932 094 995, 921 883 305, 912 073 701, 923 399 082 ou 913 238 674.