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PGR confirma intenção de fuga de tenente-general Bento Kangamba

A Procuradoria-Geral da República (PGR) reafirmou esta Terça-feira a intenção de fuga do arguido Bento dos Santos Kangamba, tenente-general reformado das Forças Armadas Angolanas, justificando assim a sua detenção.

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Em conferência de imprensa, o director da Direcção Nacional de Investigação e Acção Penal (DNIAP), Vanderlei Bento Mateus, afirmou esta Terça-feira que a detenção de Bento dos Santos Kangamba, na semana passada, e que gerou alguma polémica, foi realizada nos termos da lei, salientando que havia "evidências concretas que efectivamente tratava-se de uma fuga".

"Porque para uma pessoa que foi notificada e não compareceu, e viemos a saber mais tarde que às tantas horas da noite havia saído de Luanda, já na pendência da notificação, dirigiu-se a Catumbela, Benguela, Lubango para depois chegar àquelas horas na província do Cunene e depois estar de regresso duas horas depois, pergunta-se então o que foi fazer ao Cunene, ou seja, são essas evidências que tivemos que nos levam a concluir que, pela situação da pessoa em causa, a pessoa estava em fuga", referiu.

Vanderlei Bento Mateus frisou que o advogado do arguido recebeu a notificação para comparecer na Quinta-feira, mas depois de ser entregue a notificação "ao invés de permanecer para o ato processual a que foi chamado, nesse mesmo dia decidiu abandonar a capital para dirigir-se à província do Cunene".

"Havia uma situação clara de fuga iminente e foi isso que legitimou e que nos levou a que emitíssemos o mandado de detenção ao general Bento Kamba", reiterou.

O responsável salientou que estão em causa factos criminais, não havendo "questões cíveis".

"Porque a questão cível, por uma dívida, como se diz, é a situação em que o indivíduo dirige-se a outra pessoa e pede emprestado algum dinheiro e a pessoa sabe, empresta o dinheiro e, sabendo que a seu tempo irá devolver, de acordo com o acordo que for feito", realçou.

No caso vertente, prosseguiu, "não é o que ocorreu", referindo "situações de manobras fraudulentas de várias naturezas, pelo menos duas, como sejam a utilização de poderes supostos e fortes indícios de falsificação".

"Estamos absolutamente convencidos que estamos em presença de burla por defraudação, não estamos diante de questões de natureza cível, vamos esperar pelo fim, estamos em presença de factos criminais", salientou.

O arguido foi detido e, após interrogatório, ficou sujeito a termo de identidade e residência, a proibição de saída do país e a apresentação periódica às autoridades.

De acordo com Vanderlei Bento Mateus, a detenção visou trazer o arguido presente ao ato processual, que se encontra em cerca de 70 por cento da instrução preparatória.

Relativamente às imagens sobre o momento da detenção de Bento Kangamba, o director da DNIAP disse que a situação está a ser investigada e caso sejam apuradas responsabilidades, a procuradoria irá agir em conformidade.

Bento 'Kangamba' casou com uma sobrinha do antigo Presidente José Eduardo dos Santos, é dono do clube de futebol Kabuscorp e foi dirigente do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA).

No passado, o general tem um histórico com autoridades judiciais internacionais.

Chegou a ser acusado de tráfico de mulheres pela justiça brasileira e o seu nome esteve também envolvido numa investigação em França sobre o destino de três milhões de euros apreendidos no sul do país e que, alegadamente, se destinavam ao general, que se encontrava no Mónaco.

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