Angolanos querem construir habitações, lojas e um hotel na Póvoa de Varzim

A Câmara Municipal da Póvoa de Varzim mostrou-se "surpreendida" com a comunicação de uma empresa angolana, que diz ter um acordo para edificação de um projecto imobiliário, avaliado 13 milhões de euros, na cidade.
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Aires Pereira, presidente da autarquia, informou que recebeu uma carta de uma empresa sediada em Luanda, que afirma que "assinou um contrato com o Clube Desportivo da Póvoa (CDP) no sentido de promover uma operação imobiliária" nos terrenos que são propriedade do clube, na zona norte da marginal da cidade.

Na mesma missiva, a empresa angolana detalha a intenção de construir no local "habitações, lojas e uma unidade hoteleira", pedindo ao autarca uma audiência "para que haja um conhecimento pessoal das pessoas mais envolvidas neste processo".

Aires Pereira revelou "não ter conhecimento da existência de um contrato entre o CDP e a empresa" lembrando, numa resposta enviada aos investidores angolanos, que "qualquer abordagem sobre essa matéria terá de ser feita por quem tem legitimidade para o efeito, neste caso, o clube".

"Estranhei esta carta e o facto de vir alguém dizer que representa o CDP, uma vez que não é do conhecimento público o que é que está envolvido neste processo", apontou o autarca poveiro.

"A empresa em causa não apresenta nenhum documento que legitime a sua intervenção neste negócio que terá feito com o CDP. Espero que este assunto seja esclarecido, pois o CDP é uma instituição respeitada e com quem a Câmara tem um relacionamento institucional há muitos anos", completou Aires Pereira.

O presidente do Clube Desportivo da Póvoa, Caldeira Figueiredo, estranhou a "surpresa" da Câmara Municipal, recordando que a intenção de alavancar este projecto imobiliário já tinha sido apresentada aos sócios, em assembleia geral do clube, em Setembro do ano passado, onde o negócio foi então avaliado em 13 milhões de euros.

"Nessa assembleia de Setembro anunciámos aos sócios o projecto, e tudo foi divulgado pela comunicação social. Na altura estávamos muito perto de um acordo e fomos explicar as condições em que ele seria feito", disse o dirigente.

Caldeira Figueiredo considerou, ainda, que está legitimado pelos associados para avançar com o negócio. "Informámos os sócios e agimos de acordo com a nossa legitimidade e as capacidades que nos foram passadas pela assembleia. Já consultámos os vários órgãos e existe uma comissão de acompanhamento, que está a par do processo. Não há nenhum caso, a não ser factores externos que queiram aqui criar", rematou o líder do clube.

As instalações do Clube Desportivo da Póvoa de Varzim, assim com do Varzim Sport Club, o outro emblema com expressão na cidade, ocupam actualmente uma substancial área junto à marginal norte da Póvoa de Varzim.

As instalações dos dois clubes estão localizadas na zona E54 do Plano de Director Municipal, gizado há cerca de uma década e que prevê a construção de projectos imobiliários no local, caso ambos os clubes pretendam transferir os seus equipamentos para os terrenos contíguos ao Parque da Cidade.

O Varzim, que foi primeiro a pensar nessa solução de transferir o seu estádio para o Parque da Cidade, acabou por desistir desse processo, levando a autarquia poveira a mostrar interesse em reabrir a discussão e reavaliar as possibilidades urbanísticas para aquela área.

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