Governo nega intenção de privatizar caminhos-de-ferro

O ministro dos Transportes rejeitou esta quinta-feira a possibilidade de privatização dos caminhos-de-ferro de Angola, sector em que foram realizados avultados investimentos para a sua ampliação e remodelação na última década.
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A posição de Augusto Tomás surgiu em resposta à questão levantada pelo vice-presidente da bancada parlamentar da UNITA, o maior partido da oposição angolana, Adalberto da Costa Júnior, sobre notícias que dão conta da intenção de privatização dos caminhos-de-ferro de Angola. Segundo o governante, "não existe nada que diga respeito à privatização dos caminhos-de-ferro de Angola, é pura especulação".

Ao nível da exploração comercial, nomeadamente para o transporte de pessoas e mercadorias, está prevista a possibilidade de entrada de parceiros privados, que tragam capacidade tecnológica e 'know-how', adiantou, ainda assim, Augusto Tomás.

O titular da pasta dos Transportes avançou que estão a decorrer reuniões de trabalho entre os sectores dos transportes, petróleos, a empresa pública Sonangol e outras do sector ferroviário para o transporte de combustível e gás, utilizando os caminhos-de-ferro. "Posso também sublinhar que há alguns pequenos ensaios, embora tímidos, em alguns troços dos caminhos-de-ferro", frisou, acrescentando que está prevista também a construção de ramais ferroviários que vão ligar os terminais de armazenamento de combustíveis à linha férrea.

A reabilitação da rede ferroviária angolana, destruída pela guerra civil, custou, entre 2005 e 2015, cerca de 3,5 mil milhões de dólares, conforme anunciou a 14 de Fevereiro o ministro dos Transportes de Angola. "Muitas vezes, e nem sempre de boa-fé, alguns perguntam onde é que vai o nosso dinheiro. Pois bem, a resposta está aí. Parte da resposta está aqui no Luau, na extensão do Caminho de Ferro de Benguela [CFB]", afirmou o ministro Augusto Tomás, na inauguração do troço final daquela linha, na província do Moxico, completando um percurso de 1.344 quilómetros entre o litoral e interior.

A reabilitação das três linhas nacionais edificadas durante o período colonial - além do CFB também o Caminho de Ferro de Luanda e o Caminho de Ferro de Moçâmedes -, envolveu 2.612 quilómetros de rede e a construção de raiz de 151 estações ferroviárias. Durante estes dez anos, a reabilitação da rede, sobretudo por empresas chinesas, foi utilizada para a passagem de uma linha própria de fibra óptica, tendo sido ainda adquiridas 42 locomotivas, 248 carruagens de várias tipologias e 263 vagões, disse o governante.

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