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Isabel dos Santos quer fusão entre BPI e BCP propondo criar o maior banco privado português

A empresária angolana Isabel dos Santos propõe uma fusão entre o BPI e o BCP em resposta à Oferta Pública de Aquisição (OPA) lançada pelo CaixaBank sobre o primeiro banco, defendendo que esta é a melhor alternativa para os accionistas.

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"A oferta do CaixaBank não reflecte correctamente o valor da instituição, por si só, nem o seu potencial de crescimento, e não partilha com os acionistas do BPI o adequado valor das anunciadas sinergias. É por isso que cremos deverem ser equacionadas alternativas a essa proposta que defendam os melhores interesses de todos os accionistas e do próprio Banco BPI", lê-se na carta enviada pela Santoro Finance, 'holding' de Isabel dos Santos, aos líderes do CaixaBank, do BPI e do BCP.

No documento, divulgado esta terça-feira ao mercado pelo banco liderado por Fernando Ulrich, a Santoro, que detém quase 19 por cento do capital do BPI, admitiu que tem "as maiores reservas à adopção de qualquer projecto que, não salvaguardando a independência de gestão do Banco BPI, implique a sua consolidação numa estrutura internacional, ainda que ibérica, como se pretende fazer com a anunciada oferta pública de aquisição". E realçou: "Um dos mais importantes alicerces do Banco BPI passa pela existência de uma estrutura accionista diferenciada, mas alinhada e coesa, que preserve a independência da sua gestão a longo prazo".

A Santoro sublinhou que, enquanto accionista significativo do BPI, "sempre esteve presente no apoio à instituição num projecto partilhado de criação de valor, incluindo nos momentos mais críticos vividos ao longo da crise dos últimos anos". Segundo a 'holding' da filha do presidente de Angola, tal sucedeu "no momento em que adquiriu a sua participação inicial, numa fase em que o banco e a economia portuguesa viviam já um dos mais complicados momentos da sua história recente", bem como "quando reforçou a sua posição, criando uma situação de equilíbrio de votos que permitiu, aliás, o reforço da posição do CaixaBank sem que esta instituição fosse obrigada ao lançamento de uma OPA por ultrapassagem do limite dos 33,33 por cento do capital social". Mais, a Santoro reforçou que também apoiou o BPI "no último aumento de capital, operação fundamental para o reforço dos capitais próprios do banco".

Assim, a 'holding' angolana enviou uma carta aos presidentes das comissões executivas do BPI, BCP e CaixaBank, propondo criar o maior banco privado português (BPI+BCP) com interesses em Angola, Moçambique e Polónia, mas com um núcleo accionista centrado em Portugal. Esta proposta de Isabel dos Santos, que detém 18,6 por cento do BPI, choca com os interesses da OPA ao BPI dos espanhóis do CaixaBank, que querem a integração ibérica dos dois bancos.

A 17 de Fevereiro o CaixaBank anunciou a intenção de lançar uma OPA sobre os 55,9 por cento do capital do BPI que ainda não detém, mas enumerando duas condições: conseguir pelo menos 50,01 por cento do banco português e obter o desbloqueio dos direitos de voto no BPI, que lhe estão limitados a 20 por cento. Ou seja, o banco catalão ofereceu 1,329 euros por cada ação do BPI para obter pelo menos mais 5,9 por cento do capital do banco português, mas tem de conseguir três quartos dos votos (75 por cento) na assembleia-geral de accionistas do BPI a favor da desblindagem dos estatutos. Nessa votação, o CaixaBank ainda votará com 20 por cento dos votos.