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Embaixador português em fim de missão destaca cooperação muito forte entre Angola e Portugal

O embaixador de Portugal em Angola, João Caetano da Silva, destacou esta Sexta-feira o nível de excelência no relacionamento bilateral entre os dois países, cuja cooperação "é neste momento muito forte, intensa e variada".

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João Caetano da Silva falava esta Sexta-feira à imprensa, no final de uma audiência com o Presidente, João Lourenço, que serviu para apresentação de cumprimentos de fim de mais de quatro anos de mandato.

Segundo o diplomata português, os dois países registam um relacionamento bilateral "extremamente alto", marcado por visitas políticas ao mais alto nível em apenas seis meses.

Relativamente à cooperação bilateral, João Caetano da Silva frisou que uma série de dossiers que são muito importantes para Portugal têm avançado, nomeadamente o pagamento significativamente maior das dívidas às empresas portuguesas.

"Assinalar os progressos muito significativos que foram feitos a nível das dívidas reconhecidas, porque têm três parâmetros: dívidas que são reconhecidas às empresas portuguesas, dívidas certificadas e dívidas pagas. Temos neste momento um nível de pagamento de dívidas de dois terços das dívidas reclamadas, o que parece óbvio corresponder a um resultado extremamente positivo de todo esse processo", afirmou.

Em Maio de 2019, o então secretário de Estado da Economia de Angola, actualmente o ministro desta pasta, Sérgio Santos, disse que estavam reconhecidas dívidas às empresas portuguesas no valor de 500 milhões de dólares, do qual metade já havia sido paga, garantindo que as mesmas ficariam totalmente saldadas até final de 2019.

O embaixador em fim de missão destacou também que há uma maior diversidade de empresas, que não inclui apenas construção civil e energia, destacando ainda que no processo de pagamento de dívidas às empresas portuguesas estão agora incluídas dívidas dos governos regionais, que era uma questão importante para Portugal.

João Caetano e Silva enalteceu o papel do Ministério das Finanças, com o qual tem sido realizado um trabalho intenso nos dois últimos anos.

"E foi através desse espírito de forte de cooperação com o Ministério das Finanças e com a sua equipa que conseguimos fazer uma gestão, que considero bem-sucedida, de um tema que não era fácil de gerir, e que está hoje em muito bom rumo e a caminho, um bocadinho rápido, da sua resolução", frisou.

O diplomata português destacou também a cooperação "muito forte" entre os dois países na introdução do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA), no programa de privatização, na gestão da dívida pública, na área da administração autárquica, da educação, da defesa, da saúde e da justiça, prevendo-se o início de cooperação na área dos registos e notariado.

"Na área da cooperação técnico-militar, ênfase muito particular nas questões da ciberdefesa, que é um tema cada vez mais importante no presente e será também muito importante no futuro e da segurança marítima, tendo em conta a vasta experiência de Portugal nesta área", disse.

De acordo com o embaixador, na área dos negócios estrangeiros, Portugal tem acolhido diplomatas angolanos, existindo uma colaboração cada vez mais variada e intensa entre os Ministérios de Relações Exteriores de ambos os países.

"E por isso o nosso balanço da cooperação bilateral é também muitíssimo positivo, é cada vez mais forte, cada vez mais variada, é uma verdadeira cooperação, corresponde a uma partilha de experiências e de conhecimentos que nós tentamos que tenha o maior benefício para Angola", frisou.

Relativamente à balança comercial, João Caetano da Silva, que é substituído na função por Pedro Pessoa e Costa, deu também nota positiva, considerando-a "praticamente equilibrada".

"O crescimento das exportações angolanas para Portugal é muito significativo, também é significativa a descida das exportações portuguesas para Angola. Os últimos dados apontam para um quase nivelamento, o que nós saudamos, e o que nós queremos é que continue a haver exportações significativas de Angola para Portugal, que incluam necessariamente o petróleo, mas que abranjam também outras áreas, como por exemplo, as rochas ornamentais e agricultura, em que nós sabemos que Angola tem grande capacidade de exportação", disse.