Angola quer resolver segurança e apostar no comércio transfronteiriço

O Presidente assumiu esta Quarta-feira a vontade de reforçar a segurança e o controlo da imigração ilegal com a República Democrática do Congo (RDCongo), assumindo como aposta o comércio transfronteiriço entre ambos os países.
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A vontade foi manifestada por João Lourenço no final de um encontro privado, em Luanda, com o seu homólogo congolês, Félix Tshisekedi, que visita Angola por algumas horas, na primeira visita ao estrangeiro desde que foi empossado Presidente da RDC, a 24 de Janeiro, facto saudado pelo Presidente angolano.

Numa breve declaração à imprensa, o chefe de Estado angolano disse que os dois presidentes estão de acordo quanto à necessidade de haver paz e estabilidade na RDCongo, desde logo para aumentar as trocas comerciais e explorar novos projetos, sobretudo no enclave de Cabinda, através do fornecimento de energia eléctrica a partir da barragem congolesa de Inga.

João Lourenço reiterou igualmente as vantagens competitivas da utilização dos Caminhos-de-Ferro de Benguela (CFB) para a RDCongo para escoar os produtos da província congolesa do Catanga (sul), com o porto do Lobito a servir de porta de saída e de entrada para as exportações e importações congolesas.

“Ambos os lados da fronteira comum (de 2511 quilómetros) têm um potencial muito grande e, por isso, teremos de ser pragmáticos para nos ajudarmos uns aos outros, uma vez que temos desafios em comum”, disse João Lourenço.

“Juntos podemos desenvolver projetos de infra-estruturas, de energia e industriais que serão benéficos para ambos os países”, acrescentou o Presidente angolano.

Insistindo na questão transfronteiriça, recordando que “são povos amigos com grande potencial e com história”, João Lourenço assinalou que a situação na região é “turbulenta”, devido aos conflitos nos Grandes Lagos e no Golfo da Guiné, pelo que é necessário paz e estabilidade, “não se podendo descurar a segurança”.

“Temos de passar das velhas intenções para projectos concretos. Temos uma vasta fronteira comum que não tem sido devidamente explorada. Há grandes recursos naturais nos dois lados da fronteira e que necessitam de investimento dos dois lados para resolver os problemas, sobretudo os ligados ao desemprego”, concluiu.

Na intervenção, João Lourenço não se referiu diretamente à questão do repatriamento, oficialmente “voluntário”, de mais de 400 mil congoleses em atividades de garimpo em Angola nos últimos meses de 2018, questão que seria abordada pelo homólogo da RDCongo, que disse “compreender” a decisão das autoridades de Luanda.

A este propósito, Tshisekedi destacou que a “compreensão” é justificada peca situação ilegal em que se encontravam, salientando que a imigração irregular para Angola passou sobretudo “por uma questão de sobrevivência” e “não para pôr em causa a segurança de Angola”.

Nesse sentido, Tshisekedi pediu a João Lourenço uma maior colaboração entre os serviços de migração e fronteiras dos dois países, para que os imigrantes possam regressar “em condições dignas” à RDCongo e para que se possa pacificar as diferentes zonas, desenvolver o comércio e gerar emprego. “Vamos, juntos, continuar a combater essa vaga de imigração ilegal”, disse.

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