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Banca e Seguros

Presidente da Câmara de Comércio acredita que a banca angolana está bem preparada para reagir à crise

Os sistemas financeiros português e angolano estão mais bem preparados para reagir à crise petrolífera e já têm soluções para os clientes, afirmou o presidente da Câmara de Comércio e Indústria Portugal-Angola (CCIPA).

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Em entrevista à Lusa, Paulo Varela considerou que "o sistema financeiro português está melhor preparado do que em 2009 para apoiar o financiamento de curto prazo ou crédito à exportação para suportar a tesouraria das empresas neste período de prazos de pagamento mais alongados" e revelou que "os próprios bancos já disponibilizam produtos de crédito em Portugal por conta de ‘recebíveis’ em Angola para minorar a dificuldade em transferir as divisas".

Com esta operação, que é praticamente isenta de risco, uma vez que as verbas estão disponíveis em kwanzas em Angola, os bancos portugueses podem adiantar o dinheiro em euros, em Portugal, e assim colmatar a dificuldade que as empresas portuguesas estão neste momento a enfrentar para transferir dinheiro para fora de Angola.

"Há quantias depositadas em Angola, mas por dificuldades na obtenção de divisas, os pagamentos não ocorrem no prazo normal; aí, o banco cá [em Portugal] pode adiantar e cativar aquelas verbas, para permitir que as empresas cá possam dispor dessas quantias que serão liquidadas quando as transferências forem feitas", explica o antigo responsável da Visabeira.

"As empresas e os expatriados também estão a ter dificuldade em transferir com regularidade o vencimento mensal e os bancos podiam fazer o adiantamento das quantias lá", enfatiza o presidente da CCIPA, quando questionado sobre o que deveriam os bancos fazer para ajudar os clientes empresariais e particulares, ressalvando que "isto ajuda no curto prazo, mas não é a solução estrutural para o problema".

O desafio de Angola, conclui, é usar este período de preços baixos do petróleo para impulsionar decisivamente a diversificação da economia, tornando-se menos dependentes das variações petrolíferas. "Esse é o desafio que o país tem neste momento, e este período pode servir de ânimo acrescido para que se aposte na economia não petrolífera, porque depois da crise de 2008/2009, está claro que os ciclos de crescimento e decréscimo do preço do petróleo vão continuar a verificar-se no futuro e Angola tem hoje a necessidade de investir no sector produtivo e diversificar a base da sua economia, mas primeiro é preciso gerir a situação de contenção e emergência e depois criar bases para o futuro", afirmou o gestor.