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Economia

Angola marca presença no primeiro Fórum de Investimento em África que vai decorrer em Paris

A organizadora de eventos na área da energia Africa Oil & Power (AOP) anunciou esta Quarta-feira um Fórum de Investimento em Paris com o objectivo de juntar investidores europeus para potenciar novos acordos de investimento na África subsaariana.

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"A Africa Oil & Power vai receber as delegações dos governos francófonos africanos e os financiadores europeus no primeiro Fórum de Investimento AOP, que vai realizar-se em Paris, um evento inteiramente dedicado a conseguir que os melhores acordos entre os investidores europeus e as empresas africanas sejam assinados", lê-se num comunicado enviado à Lusa.

O anúncio do Fórum de 16 a 18 de Junho surge num contexto de uma nova política externa de desenvolvimento para África por parte da França e pretende "promover sinergias entre os agentes do petróleo e das energias renováveis e criar uma narrativa positiva para equilibrar as necessidades de desenvolvimento em África, os objectivos climatéricos e o crescimento económico".

Entre os países que vão enviar delegações estão os lusófonos Angola, Guiné Equatorial e Moçambique, para além de outros oito países que incluem a Nigéria, o maior produtor de petróleo na África subsaariana, e o Senegal, que recebeu quase mil milhões de dólares de investimento directo estrangeiro em 2019.

"A energia, em todas as suas formas incluindo o petróleo e gás, é o sustentáculo da recuperação africana a seguir à pandemia de covid-19, e nós acreditamos que é a altura certa para as empresas e os governos africanos olharem novamente para as parcerias europeias e fomentarem negócios que empoderem as suas economias", comentou o director executivo da AOP, Renée Montez-Avinir.

O Governo francês anunciou no princípio de Dezembro a realização de uma cimeira sobre o financiamento das economias africanas para Maio, na capital francesa, que surge na mesma altura em que o ministro da Economia anunciou uma revisão dos princípios de ajuda externa às nações africanas.

"Não é a crise de covid-19 que cria a subida da dívida, ela ocorreu numa altura em que África já se encontrava numa fase de rápido e significativa sobre-endividamento", disse o líder do Clube de Paris, que agrupa os principais credores oficiais a nível mundial, Guillaume Chabert, numa conferência sobre o endividamento na África subsaariana.

Durante a conferência virtual "África de novo a enfrentar o muro da dívida", na Quinta-feira, o responsável, que faz também parte da equipa do Ministério das Finanças da França vincou que "tratar a dívida não vai ser suficiente" e defendeu que "é necessária uma estratégia de financiamento mais global, incluindo mais fluxos externos, especialmente privados, e reformas para reforçar o sector privado africano e a atractividade económica do continente".

A iniciativa francesa, que coincide com a presidência portuguesa da União Europeia, surge num contexto de subida dos rácios da dívida face ao Produto Interno Bruto (PIB), um indicador a que os investidores internacionais estão particularmente atentos, dado que são um indicador sobre a capacidade do país honrar os seus compromissos financeiros.

Os países africanos já beneficiaram de um perdão de dívida nos anos de 1990, quando uma iniciativa conjunta do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial para os Países Pobres Altamente Endividados reduziu significativamente o montante devido.

Mas entre 2006 e 2019, a dívida aos credores externos passou de 100 mil milhões de dólares para 309 mil milhões de dólares, o que, com a chegada da crise do novo coronavírus, atirou boa parte da região para uma recessão económica que torna muito mais difícil o cumprimento das obrigações financeiras.

De acordo com várias estimativas de organizações financeiras internacionais, o défice de financiamento da África subsaariana pode chegar a quase 300 mil milhões de dólares até 2023.