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Indústria

Aumento de taxas leva ao despedimento de 300 dos 400 trabalhadores da cervejeira Nocal

A cervejeira Nocal vai despedir 300 dos 400 trabalhadores, por problemas técnicos e redução nas vendas do produto, provocadas pelo aumento de taxas, nomeadamente o Imposto sobre Valor Acrescentado (IVA) e Imposto Especial de Consumo (IEC).

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A decisão foi confirmada na Sexta-feira pelo director-geral da Nocal, Julien Garin, avançando que além do actual contexto económico delicado, a cervejeira do grupo Castel, foi confrontada com o aumento dos seus custos.

"Devido ao incremento dos preços das matérias-primas e a introdução, em Outubro, primeiro, do IVA e depois do IEC, cuja última medida veio provocar o aumento de 12 por cento nos custos das cervejas. Todos esses factores resultaram na queda ainda mais acentuada das vendas da cerveja", referiu Julien Garin, em declarações à rádio pública.

Segundo o responsável, após quatro meses a manter a unidade fabril, apesar do contexto de incerteza, não se vislumbram melhorias da situação, que permitam manter todos os trabalhadores.

Como alternativa, a cervejeira será transformada num centro de distribuição dos produtos do grupo Castel, detentor também das marcas Coca-Cola Company, TOP (refrigerante presente em mais de 20 países de África), as cervejas Cuca e Eka, a cidra na marca Booster, passando a Nocal a ser produzida em outras unidades fabris.

Julien Garin frisou que os lucros produzidos pela empresa de distribuição não serão do mesmo nível que uma empresa de fabricação de cerveja.

"Para ser um pouco mais técnico, as margens das empresas de distribuição são muito mais baixas que das empresas de produção. Quando uma empresa de produção tem margens de 20 a 30 por cento, uma empresa de distribuição tem margens entre três, cinco, seis, sete por cento do volume de negócio", aclarou.

Por sua vez, o director dos Recursos Humanos, José Monteiro, disse que estão garantidas as indemnizações previstas por lei, tendo a direcção decidido atribuir um acréscimo, com cinco salários para trabalhadores com até cinco anos de efectividade, seis salários para entre seis a dez anos de serviço, e sete salários, para os que têm acima dos dez anos de empresa.

"E depois tem os outros complementos, como os subsídios de férias, inclusive os salários de pré-aviso", frisou.

Já o primeiro secretário sindical da cervejeira, Lucas João, disse que a unidade fabril está paralisada há mais seis meses, tendo a produção sido transferida para a fábrica da Cuca, onde se encontram alguns trabalhadores.

A Nocal, produzida em Angola desde 1960, é a segunda cerveja a ser produzida no país, depois da Cuca.