UNITA retoma propostas de memorando de 2010 sobre gestão da capital

A UNITA vai reforçar, com novos pareceres, um memorando que entregou, em 2010, ao governo da província de Luanda, para uma melhor gestão da capital, nomeadamente nas questões sociais e na descentralização.
António Pedro Santos:
    António Pedro Santos

O líder da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), Isaías Samakuva, deslocou-se Quinta-feira à sede do governo provincial para abordar com o governador, Adriano Mendes de Carvalho, questões ligadas ao partido e à província, com quase sete milhões de habitantes.

Isaías Samakuva, que considerou "bastante útil" o encontro, disse que o seu partido já fez muitas propostas, em 2010, com a apresentação de um memorando, no qual apontava uma estratégia mais descentralizada e focada na melhoria das condições de vida da cidade.

"Comprometemo-nos ainda a juntar uma série de pareceres que temos, ainda mais recentes, com propostas para a província de Luanda e pensamos que nesse espírito de colaboração, nesse espírito de diálogo, nós todos juntos podemos contribuir para melhorar as condições dos cidadãos de Luanda", disse à imprensa, no final da reunião.

Segundo o líder da oposição, o encontro foi "frutífero", bastando agora colocar em prática as ideias apresentadas.

"Falamos de questões sociais, há em Luanda muitos jovens que afluem esta cidade na busca de melhores condições e ao fim ao cabo, não só do ponto de vista do governo em si e aquilo que nos compete fazer, nós podemos procurar criar essas condições mais para o interior, de modo a evitar esta concentração de cidadãos em Luanda", apontou.

"De outra forma, nós veremos muita gente a vir para cá, que não encontra emprego e cria situações sociais difíceis", acrescentou.

O líder da UNITA disse acreditar "piamente" que a criação das autarquias é uma solução para os problemas que o país, e Luanda particularmente, vivem actualmente.

"Não há dúvidas nenhumas, nós acreditamos piamente na necessidade da implementação das autarquias, porque achamos que as autarquias poderão ajudar a resolver muitas das situações do género, por isso mesmo que pensamos que se pode trabalhar no sentido de termos eleições autárquicas em 2020", frisou.

Por sua vez, o governador de Luanda, Adriano Mendes de Carvalho, disse que decorrem trabalhos para a desconcentração de poderes, nomeadamente do Governo central, o que é um facto e se realiza sem "quaisquer constrangimentos".

Adriano Mendes de Carvalho disse que conta com o apoio de todos na resolução de questões de carácter social, estando a aberto a iniciativas não só da UNITA, mas de outros sectores da sociedade civil.

"Contamos com o apoio do partido UNITA, que estamos em aberto, não só para a UNITA, mas é extensivo para qualquer outro partido, desde que tragam consigo ideias extremamente maravilhosas para o desenvolvimento desta Luanda, que precisamos desafogá-la, que precisamos do apoio de todas as sensibilidades", salientou.

O governador disse que a UNITA levou igualmente preocupações relativas à legalização do seu património, assunto para o qual o gabinete jurídico está orientado a dar o devido tratamento.

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