Economia

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A paz conquistada por Angola a 4 de Abril de 2002 abriu portas para o crescimento do país em termos económicos, sociais e culturais. Afirmando-se como uma nação detentora de inúmeros recursos naturais, designadamente o petróleo e os diamantes, as oportunidades de negócio começaram a proliferar. As principais exportações de Angola são o petróleo, diamantes, café, madeiras, peixe, algodão e sisal. Já as importações passam essencialmente pelos produtos alimentares, bebidas, equipamentos eléctricos e automóveis.

Na última década, a economia nacional registou taxas de crescimento acima da média que colocaram Angola no topo dos países que mais prosperaram no continente africano e com excelentes condições para investir. Os recursos naturais atraíram grandes investimentos estrangeiros que ajudaram nesse crescimento. No entanto, e apesar das constantes tentativas por parte do Governo para diversificar a economia, as receitas petrolíferas sempre dominaram o orçamento estatal. Angola continua a ser um dos maiores produtores de petróleo da África subsaariana, mas o crescimento até então registado sofreu um revés.

Desde 2014 que Angola atravessa uma crise económica e financeira provocada pela descida acentuada do preço do petróleo, tendo como consequência a diminuição das receitas de exportação do país. O Executivo tem trabalhado no sentido de minorar as consequências negativas decorrentes da quebra das receitas, através da redução da despesa pública, aumento da produção petrolífera, fomento da diversificação da actividade económica e estabelecendo acordos de financiamento com parceiros públicos e privados estrangeiros.

A desaceleração registada no crescimento económico nacional tem fortes repercussões no quotidiano da população e do tecido empresarial. Esta situação é ainda agravada pela escassez e dificuldade no acesso a divisas. A desvalorização do kwanza face ao dólar norte-americano é outro dos factores que originou a descida do poder de compra.

Angola continua com elevados índices de importação de bens de primeira necessidade. A complexidade registada actualmente nos processos de importação, devido às dificuldades na expatriação de divisas, provocaram a inflação dos bens alimentares e outros produtos essenciais ao bem-estar e sobrevivência da população. No caso das empresas, são muitas as que não conseguem importar matéria-prima para dar continuidade à sua actividade, tendo em conta as dificuldades com que se deparam no pagamento aos fornecedores.

Destaca-se aqui o papel preponderante do Banco Nacional de Angola, que continua a envidar esforços para a constante venda de divisas aos bancos comerciais. O objectivo é que essas divisas sejam disponibilizadas, de forma gradual e organizada, e assim se efectuem as transferências internacionais, nomeadamente para suprir os sectores mais básicos, como o alimentar e o da saúde. Torna-se imprescindível investir na progressão dos sectores que ainda hoje funcionam baseados na importação de bens e serviços, através da qual se esgota grande fatia das divisas que o país obtém e que o continuam a manter bastante dependente do exterior. Com os recursos naturais que possui, é possível diversificar a economia apostando em sectores como a agricultura, pesca, pecuária, aquicultura e transformação madeireira.

Em Junho de 2016, o Governo solicitou apoio técnico ao Fundo Monetário Internacional (FMI), no sentido de estudar e estabelecer um programa de reformas estruturais que visam o apoio à diversificação da economia. Na sua deslocação a Angola, técnicos do organismo alertaram que é urgente implementar uma reestruturação no sector público e controlar o défice. Esta cooperação com o FMI vai manter-se e poderá revelar-se uma excelente oportunidade para definir novas estratégias que ajudem a relançar a actividade económica e financeira nacional. De acordo com o organismo, só em 2017 é que a economia poderá começar a registar alguma melhoria.

Esta não é a primeira crise económica que Angola atravessa. A força e persistência do povo, a implementação de estratégias por parte do Governo que impulsionem a economia e o contínuo apoio de investidores e organismos internacionais serão, com certeza, factores determinantes para que Angola ultrapasse esta fase negativa e rapidamente comece a escrever uma nova página na sua história onde prevaleçam o crescimento e desenvolvimento sustentáveis da nação.