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Inflação no valor mais alto desde 2017 vai continuar alta em 2021

A consultora NKC African Economics considera que a inflação em Angola, que está no valor mais alto desde 2017, vai continuar elevada no próximo ano devido à forte dependência dos produtos importados e à depreciação do kwanza.

: Lusa
Lusa  

"A inflação aumentou nos primeiros 11 meses deste ano, apesar das fracas condições económicas globais e locais, que resultaram principalmente da queda dos preços do petróleo este ano e da liberalização cambial de 2019 e que fizeram com que o kwanza tenha perdido 26 por cento do seu valor desde o princípio do ano", escrevem os analistas num comentário ao aumento de 1,99 por cento da inflação em Novembro face a Outubro e 24,9 por cento nos últimos 12 meses.

"A depreciação do kwanza vai continuar a colocar pressão nos preços dos consumidores, devido à forte dependência de Angola dos bens importados, que é evidente pelo facto de a maior parte da inflação ser motivada pelo aumento dos preços alimentares", acrescentam os analistas numa nota enviada aos clientes, e a que a Lusa teve acesso.

Para além disso, alertam, "a implementação gradual do novo Impostos sobre o Valor Acrescentado (IVA), de 14 por cento, bem como o aumento previsto nas propinas do ensino superior, vão colocar mais pressão na inflação em 2021".

A consultora NKC African Economics reviu em Novembro a estimativa de evolução da inflação em Angola, antevendo uma subida de 22,4 por cento nos preços e uma depreciação de 60 por cento da moeda nacional, o kwanza, este ano.

Os analistas dizem esperar uma inflação média de 22,4 por cento este ano, agravando-se face aos 17,1 por cento registados no ano passado, e prevendo que abrande o crescimento para 20 por cento no próximo ano.

Os preços em Angola aumentaram 1,99 por cento entre Outubro e Novembro, segundo um relatório mensal do Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgado em meados de Dezembro, que coloca a inflação acumulada a 12 meses no valor mais alto desde Novembro de 2017.

A classe Alimentação e Bebidas não Alcoólicas foi a que, segundo o INE angolano, "mais contribuiu para o aumento do nível geral dos preços", sendo responsável por 1,13 pontos percentuais do aumento de 1,99 por cento em Novembro.

O valor registado em Novembro deste ano representa um aumento de 0,18 pontos percentuais e, em termos homólogos, de 0,46 pontos percentuais face aos 1,53 por cento registados no mesmo período do ano passado.

No acumulado dos últimos 12 meses, Angola soma um aumento de 24,9 por cento dos preços no consumidor, um valor que ultrapassa os 24,7 por cento entre Dezembro de 2016 e Novembro 2017 – o valor mais alto deste indicador nos últimos três anos.

Já desde o início do ano, a inflação em Angola soma 22,57 por cento, valor semelhante ao registado nos primeiros 11 meses de 2017, quando alcançou os 22,21 por cento. Em relação a 2019, isto representa um aumento de 7,86 pontos percentuais face aos 14,71 por cento então registados.

Na proposta do Orçamento Geral do Estado para 2021, Luanda estima uma taxa de inflação acumulada anual de 18,27 por cento para o próximo ano.

Devido à pandemia de covid-19, verificou-se uma redução do preço do barril de petróleo, o que levou a que os Estados-membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus parceiros reduzissem a produção, de modo a equilibrarem o preço do barril de petróleo.

No final de Novembro, o Comité de Política Monetária do Banco Nacional de Angola manteve a previsão de 25 por cento de inflação para o presente exercício económico "pelo que continuará a monitorizar todos os factores monetários determinantes da inflação".

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