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Durão Barroso diz que situação económica de Angola “é um desafio permanente”

O antigo primeiro-ministro português e presidente da Comissão Europeia Durão Barroso considerou “positivas” as reformas que estão a ser empreendidas em Angola, mas avisou que a economia do país “é um desafio permanente”.

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Durão Barroso, que falava à Lusa à margem do II Colóquio Internacional sobre a História do MPLA, afirmou que as reformas em curso em Angola são positivas, apesar de haver “muito trabalho a fazer”, pois a situação económica é “um desafio permanente”.

“Houve uma explosão demográfica, há que arranjar emprego para os milhares de jovens que todos os anos chegam ao mercado de trabalho”, apontou o antigo governante que lidera actualmente o banco Goldman Sachs International.

Para Durão Barroso, “é uma situação muito difícil”, mas acredita “que se está a ir numa boa direcção”, vincou, destacando que esta é também a opinião das organizações internacionais e do Fundo Monetário Internacional (FMI) que está a implementar um programa de assistência financeira no país.

Questionado sobre se a UNITA, principal partido da oposição, sob a nova liderança de Adalberto da Costa Júnior poderá disputar o poder ao MPLA, que governa o país há mais de 40 anos, sublinhou que Angola é um sistema político multipartidário onde se espera que as eleições se realizem na normalidade democrática.

“Todo o compromisso do MPLA - público e penso que não público - é com a democracia e hoje vimos aqui isso na própria apresentação que o MPLA faz da sua história, que apresenta como positiva a transição para uma democracia multipartidária”, disse.

O antigo governante português realçou: “O MPLA tem uma posição dominante no sistema político angolano, mas isso não quer dizer que não haja eleições, espero eu, em perfeita democracia”.

Durão Barroso que esteve hoje no colóquio a falar sobre a experiência da diplomacia portuguesa no processo de paz em Angola, lembrou as dificuldades sentidas quando, em 1987, foram iniciados os esforços do governo português para “virar a página colonial” e procurar estabelecer relações de amizade com os novos países.

“Nuca são fáceis as relações entre a antiga potência colonial e os novos países”, afirmou, indicando sobretudo o caso de Angola por causa da forma traumática como decorreram os acordos de Alvor e a relação particularmente intensa entre os dois países.

O antigo primeiro-ministro sublinhou igualmente a contribuição de Angola para a independência da Namíbia, o fim do regime de ‘apartheid’ e até o desanuviamento da tensão entre os dois blocos, o Ocidente e o Leste, então divididos pela Cortina de Ferro, considerando que “a queda do muro de Berlim começou em África”.

Durão Barroso afirmou que o objetivo de Portugal foi sempre alcançar a paz e democracia em Angola, sendo um mediador isento entre os dois movimentos em conflito – UNITA e MPLA – lembrando que foram os acordos de Bicesse, que permitiram a realização das primeiras eleições livres multipartidárias em 1992.