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Angola homenageia primeiros escravos africanos nos Estados Unidos

O ministro das Relações Exteriores, Manuel Domingos Augusto, esteve esta Segunda-feira presente em Washington, Estados Unidos da América (EUA), para destacar o contributo dos angolanos na história do país, que recebeu os primeiros escravos africanos há 400 anos.

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Segundo um comunicado do Ministério das Relações Exteriores, Manuel Domingos Augusto vai destacar a "coragem, o sacrifício, a força e a superação face às piores adversidades vividas, o papel e o contributo que [os escravos] tiveram na construção de uma grande nação que é hoje os Estados Unidos da América", numa cerimónia de homenagem aos 20 escravos angolanos chegados aos EUA em 1619.

A cerimónia foi organizada pelo embaixador de Angola nos EUA, Joaquim do Espírito Santo, no Museu Nacional de Arte Africana, em Washington e contou com a presença da ministra da Cultura, Maria da Piedade de Jesus, e altos funcionários do Governo.

"O chefe da diplomacia angolana vai recordar compatriotas como a Isabel, a Ângela e o António, e tantos outros nomes embarcados, contra a sua vontade, nessa viagem, para um destino totalmente alheio às suas realidades", lê-se na nota.

A cerimónia serviu também para dar a conhecer aos convidados norte-americanos a história de Angola e a determinação para a "construção de uma Nova Angola próspera" que contribui para o "desenvolvimento sustentado dos povos africanos e das demais nações".

Serão também discutidas novas oportunidades de negócios em Angola, em vários sectores, como educação, saúde, cultura, turismo ou agricultura.

Joaquim do Espírito Santo declarou, num comunicado, que Angola quer "estender as mãos em sinal de amizade para todos os americanos, particularmente os que são descendentes de pessoas escravizadas da África".

"Queremos que todos os afro-americanos saibam que os consideramos nossos irmãos e irmãs há muito perdidos neste país", declarou o embaixador.
O Ministério das Relações Exteriores aponta "perspectivas animadoras" nas relações bilaterais com os EUA, acrescentando que as trocas comerciais entre os dois países atingiram um valor de 3,4 mil milhões de dólares no final de 2017.

Os primeiros escravos oriundos de África foram levados para os Estados Unidos em 1619, quando desembarcaram em Jamestown, Virgínia.
Os historiadores consideram que os 20 primeiros escravos africanos levados aos EUA foram apreendidos por piratas ingleses do navio negreiro português São João Baptista.

Nos EUA, a escravatura era considerada uma forma de fortalecer a agricultura, indústria e economia, na produção de tabaco e algodão, um produto altamente solicitado a partir da Revolução Industrial inglesa de 1760.