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Catoca vai criar grupo técnico com autoridades congolesas para avaliar contaminação

O director-geral da mina de Catoca disse que a sociedade mineira e as autoridades congolesas vão trabalhar em conjunto para avaliar a alegada contaminação provocada pela mina, através de um grupo técnico deverá ser criado em Janeiro.

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Benedito Manuel falava aos jornalistas, à margem da 1.ª Conferência Internacional de Diamantes, que decorre em Saurimo, capital da Lunda Sul, e adiantou que o trabalho deverá ter continuidade através de um mecanismo comum de monitorização, prevenção e resolução de acidentes.

Em Julho, a mina de Catoca sofreu uma rutura num tubo de drenagem da bacia de rejeitados que segundo as autoridades congolesas resultou numa catástrofe ambiental e a morte de varias pessoas, o que a empresa rejeita, alegando que não houve derrame de substancias tóxicas para o rio.

"Há uma interpretação diferente" sobre o que aconteceu, disse Benedito Manuel.

O director-geral de Catoca adiantou que as autoridades vão notificar a parte congolesa para poder constituir um grupo técnico conjunto, dando cumprimento ao que foi acordado com a RD Congo: "Já estão criadas as condições logísticas e apontamos o mês de Janeiro para realizar esta acção conjunta".

A sociedade mineira de Catoca alega que o impacto da descarga se reflectiu apenas na turbidez da agua, "mas nada mais do que isso" e espera que o trabalho das duas equipes permita chegar a "um entendimento comum e harmonioso entre as duas partes".

"Também estamos interessados em criar este mecanismo comum de monitoramento, de prevenção e de resolução de situações similares", acrescentou.

A mina de Catoca recebeu a visita de uma delegação da Republica Democrática do Congo, para conhecerem a infraestrutura.

"Criámos todas as condições logísticas para receber os técnicos da RDCongo que, com os nossos técnicos, vão fazer um levantamento de todas as amostras possíveis para serem reanalisadas, quem sabe será um caminho para perceber de onde vem os factores contaminantes que se registaram no (rio) Cassai", adiantou Benedito Manuel.

O mesmo responsável salientou que Catoca tem uma política e procedimentos ambientais "rígidos", e explicou que o acidente se deu por insuficiência do registo de informações do início do projecto.

"É uma tubagem que foi colocada no início do projecto e não tínhamos informação sobre a sua localização. Tem a ver com aquela fase da guerra, em que as coisas se faziam com um certo improviso, fomos surpreendidos", disse, indicando que foi acrescentando entretanto um novo procedimento, de monitorização permanente através de satélite para que se possa atempadamente intervir, com acesso rápido à informação.

Sobre a produção de diamantes em Catoca, mina responsável por mais de 80 por cento do total produzido em Angola, Benedito Manuel reconheceu os efeitos negativos da covid-19, mas com 90 por cento dos trabalhadores de Catoca e das empresas terciarizados já vacinados, com a segunda dose, espera produzir pelo menos 6 milhões de quilates em 2022, graças ao aumento da força de trabalho.

No presente ano, ainda a trabalhar sob um plano de contingência, a produção deve atingir os quatro milhões de quilates, indicou.

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