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Endiama diz que problemas com RDCongo devido a derrame na Catoca foram ultrapassados

O presidente da diamantífera estatal Endiama disse que as questões com a República Democrática do Congo (RDCongo) devido ao derrame da mina de Catoca estão ultrapassadas e destacou que Angola cumpre as regras de protecção ambiental.

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O presidente da Endiama, José Manuel Ganga Júnior, que falava à margem da conferência internacional de diamantes, que decorre em Saurimo (Lunda Sul), admitiu que, durante muitos anos, Angola negligenciou os aspectos ambientais, o que não acontece actualmente já que nenhum projecto mineiro é lançado sem que antes seja aprovado um estudo ambiental.

Ganga Júnior admitiu que a actividade mineira é um dos "principais agressores" do ambiente, pelo que é necessário contar com a reparação deste dano, acrescentando que o passivo vem de há muitos anos.

"O esforço é grande, mas neste momento fazemos questão de observar as regras de protecção ambiental", disse.

"Naturalmente que existem problemas, mas são resolvidos, são corrigidos, tivemos há pouco tempo um problema com a mina de Catoca, com a sua bacia de rejeitados, mas está ultrapassado, está regularizado, agora precisamos é de trabalhar para evitar permanentemente esse tipo de problema", acrescentou.

Uma avaria técnica na bacia de rejeitados resultou, em Julho, num derrame na mina de Catoca, quarta maior mina de céu aberto do mundo, que responsáveis da RDCongo classificaram como "uma catástrofe ambiental" e ligaram à morte de 12 pessoas.

No entanto, a sociedade mineira, que integra a Endiama, a multinacional russa Alrosa e a chinesa Lev Leviev International negou as acusações, dizendo que a descarga não continha materiais tóxicos, tendo realizado uma recolha de amostras do rio afectado para demonstrar não ser responsável pelas perdas humanas no país vizinho.

Ganga Júnior garantiu não ter sido recebido qualquer pedido de indemnização e adiantou que os dois governos têm estado a trabalhar a nível das comissões mistas dos dois países e que a questão relativa a Catoca está "100 por cento ultrapassada".

"Os rios existem, os peixes estão lá, a vida mantém-se e isso para nós é o mais importante", vincou, indicando que Angola tem estado a trabalhar com as autoridades congolesas que se deverão deslocar em breve ao país lusófono.

"Nós já estivemos no Congo, eles virão a Angola também para avaliar exactamente o nosso processo tecnológico, o que temos estado a fazer e mostrar que resolvemos os problemas ambientais que temos", adiantou.

Quanto à produção de diamantes, o presidente da Endiama disse que a situação continua dificultada pela pandemia de covid-19, mas apesar das restrições, "as coisas estão melhores" depois de alguns meses de mercado totalmente fechado no ano passado.

"Na maior parte das minas não atingimos o nosso potencial pleno", reconheceu Ganga Júnior, que, acredita, no entanto, que vão ser alcançadas as metas de produção deste ano (9 milhões de quilates).