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Sonangol distinguida com prémio de melhor empresa africana de petróleos na African Energy Week

A petrolífera de bandeira venceu o prémio de melhor empresa africana de petróleos, atribuído no African Energy Week 2021, que acontece de 9 a 12 de Novembro, na África do Sul.

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O prémio foi recebido pelo administrador Osvaldo Inácio, em representação da Sonangol.

A empresa "sendo hoje uma das principais companhias de oil & gas, a nível continental, visa transformar-se, proporcionalmente, numa referência, em termos de energia, sendo a distinção um reconhecimento aos passos efectuados e incentivo ao cumprimento deste objectivo", indicou.

No evento, alguns representantes da Sonangol, num painel moderado pelo director da Something of Value, Geoff Hill, fizeram um balanço da progressão da petrolífera no que diz respeito à transição energética.

O painel, que contou com a participação de Osvaldo A. Inácio, Director Executivo da Sonangol, Ricardo Van-Deste, CEO da Unidade de Negócios de Exploração e Produção da Sonangol e Paulo Guedes, Director de Energias Renováveis da Sonangol, centrou-se no papel do petróleo e do gás na transição energética.

Segundo um comunicado remetido ao VerAngola, os oradores "enfatizaram que as estratégias de descarbonização serão mais eficazes do que a eliminação progressiva de recursos para a redução de emissões e protecção do meio ambiente".

A nota dá conta de que, embora a "pobreza energética em África continue a ser uma ameaça significativa e um problema que urge tratar, uma abordagem de descarbonização adaptada será significativa tanto para o país como para o todo o continente".

Inácio, citado no comunicado, afirmou que "foi dito que cerca de 600 milhões de africanos não têm electricidade e, portanto, embarcar numa transição energética centrada nas energias renováveis e noutras fontes de energia mais caras pode ser um jogo perigoso".

Por essa razão, a ideia é dar início a "uma conversa acerca da descarbonização e do papel que desempenharemos nela. Isso também ajudaria, evidentemente, a reduzir as emissões de gases de efeito de estufa".

"Em geral, o que nós, Sonangol, temos a dizer quando falamos acerca de transição energética é o seguinte: não somos contra, pensamos que é necessário, mas sentimos que deve ser equilibrada e que, enquanto continente, temos de desempenhar um papel na definição do que a transição de energia significa para nós", considerou, exemplificando que "no Gabão, a transição energética pode não significar a mesma coisa que na Alemanha".

"Qual é a nossa definição de transição energética e a que ritmo queremos fazê-la? O que queremos dizer é o seguinte: estamos todos envolvidos na transição e estamos a tomar medidas muito sérias e ousadas para fazê-la acontecer, mas também podemos fazer isso ao mesmo tempo que monetizamos o vasto recurso com o qual fomos abençoados, de forma segura e limpa. É isso que para a Sonangol representa a transição energética", indicou.

O comunicado adianta que apesar de o país estar comprometido com o petróleo e o gás, recorrendo a "tecnologias de descarbonização para impulsionar a transição", também alargou os seus objectivos relativamente às energias renováveis, ao adoptar novas "iniciativas que impulsionam o progresso".

Os oradores também falaram sobre o projecto de hibridização do país, que pretende expandir a utilização de energia renovável em Angola.

"A questão é de onde vem o dinheiro? Como se obtém financiamento para projectos de petróleo e gás com a transição energética? A Sonangol enfrenta os mesmos desafios que todas as outras empresas", disse Van-Deste.

Já Guedes indicou que têm o projecto de hibridização que estão a vender ao Governo. "Hoje é considerado um projecto off-grid, mas no futuro estará conectado à rede. Estamos também a analisar as nossas operações internas de upstream a downstream, bem como maneiras de minimizar a utilização de combustíveis fósseis", disse, acrescentando que estão "a estudar um grande número de modelos alternativos de instalações, de modo a diminuir os custos operacionais e ajudar o meio ambiente".

"Temos visto postos de abastecimento movidos a energia solar, um local de venda e troca de baterias e equipamentos de carregamento. Temos alguns parques industriais que não estão conectados à rede e que constituem uma oportunidade para vender energia renovável. Estamos ainda a ponderar realizar estudos para melhorar e maximizar a indústria dos biocombustíveis e promover a utilização do hidrogénio verde em Angola", finalizou.

O African Energy Week é um certame sobre a transição energética em África, que possibilita às principais empresas daquele continente debaterem estratégias de implementação da transição energética.