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Educação

Responsável defende que crianças da Huíla devem ter aulas bilingues

Um responsável da educação na província da Huíla defendeu a implementação de um sistema de ensino bilingue, “sobretudo em zonas mais recônditas” da província, onde grande parte das crianças não domina a língua portuguesa.

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Benício Puna, coordenador provincial da Zona de Influência Pedagógica (ZIP) da Huíla, afirma que "uma das grandes preocupações é o reforço de acções de ensino, particularmente nas zonas mais recônditas em que boa parte das crianças não se expressa em português".

"A nossa percepção é que os professores que são colocados, por exemplo naquelas zonas, devem também ter um certo domínio da língua local, porque sabemos que muitas vezes as crianças aprendem com maior eficácia nessa combinação entre o português e a sua língua local", disse o responsável à Lusa.

Segundo o coordenador da ZIP-Huíla, com o ensino bilingue (em língua portuguesa e línguas locais) "facilmente as crianças deverão absorver os conhecimentos e, consequentemente, serem mais produtivas".

Luanda acolhe, desde Quarta-feira até Sábado, um ciclo de formação que visa reforçar as competências dos professores das 18 províncias sobre a prática pedagógica de Língua Portuguesa, Matemática e outros domínios.

Para Benício Puna, é preciso que a acção de formação tenha "mais valências metodológicas" para ser possível apoiar melhor aqueles professores que estão a mais de 400 quilómetros da sede municipal do Lubango.

"Muitas vezes são os professores que pouco frequentam as zonas urbanas onde o português é muito mais activo", comentou, além de apontar a "situação da transumância" e "a mobilidade das crianças hoje à procura de melhores condições".

"Tendo em conta também a crise que vamos vivendo e é preciso que essas crianças estejam mais bem munidas para que possam aprender o português e nós entendemos ser esta uma grande preocupação", insistiu.

O Umbundu e o Nhaneca Humbi são algumas línguas nacionais faladas na província da Huíla, sul do país.

De acordo com a Constituição, a língua oficial da República de Angola é o português, mas o Estado "valoriza e promove o estudo, o ensino e a utilização das demais línguas do país".

A formação dirigida aos professores do ensino primário e secundário, directores de escolas e demais agentes do processo de ensino e aprendizagem é uma iniciativa do Ministério da Educação, no âmbito do Projeto Aprendizagem para Todos (PAT), financiado pelo Banco Mundial.