Vice do BNA diz que foi “limitado” o impacto de oscilações cambiais nos preços

O vice-governador do Banco Nacional de Angola (BNA), Manuel Tiago Dias, disse que a liberalização da taxa de câmbio teve um impacto limitado sobre os preços, mostrando-se “optimista” face à evolução da inflação até ao final do ano.
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“Tendo em conta o impacto das medidas houve uma relativa perturbação dos mercados e agora temos uma relativa estabilização”, disse Manuel Tiago Dias, aludindo ao anúncio de 23 de Outubro, quando o BNA decidiu liberalizar a taxa de câmbio.

O banco central removeu, então, a margem de 2 por cento imposta à comercialização de divisas, entre outras medidas de política monetária.

“Tivermos fortes perturbações nos mercados cambiais e isto fez com que muitas opiniões, na altura, fossem convergentes no sentido de prever que houvesse uma forte implicação a nível dos preços na nossa economia”, reconheceu.

No entanto, o responsável do BNA explicou que os piores receios não se concretizaram: “Passada esta fase, o que podemos constatar, de acordo com a informação do Instituto Nacional de Estatística é que, não obstante ter havido um aumento de preços, esse aumento foi bastante limitado, o que nos deixa bastante optimistas em relação aquilo que poderá vir a ocorrer até ao final do ano”.

Segundo o boletim relativo ao Índice de Preços no Consumidor Nacional (IPCN), publicado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) na Quarta-feira, a inflação situou-se nos 16,08 por cento em Outubro, um decréscimo de 1,96 pontos percentuais face ao mês homólogo do ano passado, e apresentou uma variação de 1,38% por cento em Outubro (1,45 por cento em Setembro).

Ainda assim, Manuel Tiago Dias admitiu que face às medidas que foram tomadas “é natural” que os consumidores sintam um agravamento no seu poder de compra. “O que estamos a dizer é que os preços subiram, mas de maneira mais branda do que aquilo que os observadores económicos esperavam”, afirmou.

O vice-governador do BNA destacou também que, depois de uma forte pressão sobre a taxa de câmbio, as últimas informações dão conta de que “após ter registado níveis relativamente altos de depreciação”, o kwanza entrou “numa trajectória de apreciação”.

O que quer dizer que começa a haver uma certa normalidade para os agentes económicos, que sentirão “repercussões positivas” depois de passado o período de ajustamento, que é “totalmente necessário” porque o mercado cambial estava “desequilibrado”, notou.

Depois de uma desvalorização acentuada face ao dólar, logo após o anúncio da liberalização da taxa de câmbio, chegando a transacionar nos 497 kwanzas face ao dólar, a 29 de Outubro, a moeda nacional negociou actualmente num valor médio de 463 kwanzas face à moeda norte-americana.

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