Capital Economics questiona se BNA está a “perder a coragem” na liberalização cambial

A consultora Capital Economics questionou se o Banco Nacional de Angola estará a "perder a coragem", ao admitir uma taxa de câmbio mínima e máxima para os leilões de mil milhões de dólares até final do ano.
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"Depois de prometer uma taxa de câmbio determinada pelo mercado, os decisores políticos angolanos anunciaram novos leilões de moeda externa nos quais vão fornecer dólares ao mercado, num esforço para guiar a taxa de câmbio", escrevem os analistas num comentário à variação cambial do kwanza.

Na nota, com o título 'Estará o BNA a perder a coragem?', enviada aos investidores e a que a Lusa teve acesso, os analistas da Capital Economics dizem que "esta intervenção parece ter dado algum apoio à moeda, que se valorizou quase 7 por cento face ao dólar desde o valor mais baixo, a 3 de Novembro" e acrescentam que "parece que só vão aceitar ofertas dentro de uma determinada banda, o que deve ajudar a empurrar o mercado para esses limites".

Em causa está um anúncio, datado de 1 de Novembro, no qual o BNA anuncia que fará leilões de dívida diários neste e no próximo mês no valor de mil milhões de dólares, repartidos entre Novembro e Dezembro.

"No final de cada sessão, o Banco Nacional divulgará, no seu portal institucional, o montante disponibilizado, o número de participantes, as taxas de câmbio máxima e mínima admitidas, bem como a taxa de câmbio média resultante da sessão", lê-se numa nota publicada pelo regulador financeiro.

No entanto, acrescenta-se na mesma nota, "a previsão supracitada é de carácter indicativo, podendo o Banco Central efectuar ajustes a mesma em função da dinâmica do quadro actual da economia nacional e das condições de mercado".

Para a Capital Economics, a direcção da política cambial nacional "não é actualmente clara", mas acrescentam que "mesmo que as autoridades realmente cumpram a promessa de deixar o mercado determinar a taxa de câmbio, as grandes desvalorizações ficaram para trás".

A balança corrente, concluem, "está equilibrada, e a taxa de câmbio efectiva está agora abaixo da média de longo curso", pelo que "a atenção vai agora centrar-se nos efeitos da queda do kwanza na economia e na estabilização do volume de dívida pública".

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