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Kwanza valorizou-se em 7,2 por cento depois da liberalização cambial do BNA

A moeda nacional, o kwanza, está a valorizar-se em mais de 7 por cento desde o final de Outubro, na sequência da liberalização das taxas de câmbio decretadas pelo Banco Nacional de Angola no início do mês.

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De acordo com os dados recolhidos pela Lusa, o valor médio do kwanza valorizou-se 7,2 por cento desde 29 de Outubro, dia em que eram precisos 497 kwanzas para comprar um dólar, estando agora a transaccionar-se um dólar por 461,1 kwanzas, o que fez com que as descidas acumuladas desde o princípio do ano diminuíssem para 34 por cento.

A valorização da moeda nacional nos últimos dias surge no seguimento da decisão do Banco Nacional de Angola de permitir a liberalização da taxa cambial, anunciada no dia 23 de Outubro pelo governador, José Lima Massano.

No mercado paralelo, no entanto, a evolução da moeda tem sido em sentido oposto, já que a 23 de Outubro eram precisos 620 kwanzas para comprar um dólar, e hoje são precisos 690 kwanzas para conseguir um dólar.

O Banco Nacional de Angola (BNA) anunciou a 23 de Outubro a liberalização da taxa de câmbio, removendo a margem de 2 por cento imposta à comercialização de divisas, uma medida que deve entrar em vigor já nos leilões da próxima semana.

O governador do BNA, José Lima Massano, elencou em conferência de imprensa as medidas tomadas na reunião extraordinária do Comité de Política Monetária, entre as quais o fim da margem de 2 por cento sobre a taxa de câmbio de referência que era praticada pelos bancos comerciais na comercialização de moeda estrangeira no mercado interbancário e aos seus clientes.

No início do ano, o BNA tinha já retirado o limite de 2 por cento imposto aos bancos no leilão de divisas e elimina agora a margem de 2 por cento que os bancos podem aplicar, esperando encontrar um equilíbrio cambial até ao final do ano.

“Passaremos a ter um mercado que vai funcionar conforme as forças do próprio mercado, procura e oferta. O que temos hoje é um cenário em que há uma procura superior à oferta e como não temos um elemento que regule essa relação, acabamos por ter a acontecer operações que acontecem fora do sistema financeiro (…) muitas vezes injustas e que põem em causa a segurança dos participantes”, justificou o responsável do BNA à margem da conferência de imprensa.

Uma situação que, sublinhou, cria “espaço para que operações legítimas sejam realizadas em canais informais” e para a formação de um mercado cambial alternativo absolutamente especulativo, gerando distorções no funcionamento da economia.

Na conferência de imprensa, José Lima Massano, adiantou que as medidas surgem na sequência da reforma faseada do mercado cambial, iniciada em Janeiro de 2018, com vista à formação de uma taxa de câmbio de referência com base no equilíbrio entre a procura e a oferta de moeda estrangeira.

“Uma vez atingidos os objectivos das medidas mencionadas, o Banco Nacional de Angola decidiu pela implementação de um regime de câmbio flutuante em que a taxa de câmbio é livremente definida pelo mercado, isto é, de acordo com a procura e oferta de moeda estrangeira”, sublinhou o BNA num comunicado divulgado no seu site na Internet.

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