Nações Unidas dizem que se aproxima o final do acolhimento de refugiados no país

A Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) abriu uma nova rota para apoiar o repatriamento voluntário de refugiados congoleses, a partir de Angola, para as suas regiões de origem, tendo apoiado até ao momento 1439 pessoas.
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Desde o início de Outubro, o ACNUR organizou já quatro comboios com 1239 refugiados que partiram do assentamento do Lóvua, na província da Lunda Norte, passando a fronteira entre Angola e a República Democrática do Congo (RDCongo) em Nachiri, rumo a Tshikapa, na região do Kasai.

A estes juntou-se mais um comboio com 200 pessoas, inaugurando uma nova rota para o Kasai Central, via fronteira de Tchicolondo, em Angola, com destino a Kananga, prevendo-se que o repatriamento voluntário esteja concluído até meados de Dezembro.

Segundo um comunicado do gabinete do coordenador residente da Organização das Nações Unidas (ONU) em Angola, Paolo Balladelli, do lado da RDCongo, o ACNUR e o Programa Alimentar Mundial (PAM), estão a apoiar tanto os cerca de 14.700 refugiados que regressaram espontaneamente como os que estão a voltar de forma organizada, proporcionando transporte e pequenas somas monetárias para alimentos e deslocações até as localidades de origem.

O representante da ONU em Angola, citado no comunicado, considerou que se aproxima o final de um ciclo de mais de dois anos de acolhimento de refugiados em Angola, destacando a solidariedade das autoridades angolanas ao receber pessoas que corriam risco de vida, devido aos conflitos étnicos.

“Com a conclusão deste capítulo, Angola dá a África e ao mundo exemplo de uma boa prática internacional”, destacou Balladelli.

Já Wellington Carneiro, representante interino do ACNUR em Angola, referiu que o repatriamento voluntário, que dura há três semanas, “está a atravessar vários desafios, como as condições das estradas devido à época de chuvas” e a contratação de veículos adequados, mas referiu que a operação está a ser feita “com todas as garantias de segurança e dignidade”.

O repatriamento conta com o apoio do ACNUR e dos Governos de Angola e da RDCongo, através de um acordo tripartido, bem como de outras agências da ONU e parceiros.

Mais de 35 mil pessoas fugiram da instabilidade política e militar na região do Kasai, na RDCongo, a partir de Março de 2017, procurando refúgio na província da Lunda Norte em Angola, junto à fronteira.

Inicialmente, os refugiados foram acolhidos nos centros de recepção de Kacanda e Mussungue e, posteriormente, transferidos para o assentamento de Lóvua, em Agosto de 2017, que albergou mais de 20 mil pessoas.

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