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Oposição aponta insuficiências no registo eleitorial oficioso

Líderes políticos na oposição apontaram esta Quinta-feira “algumas insuficiências” no funcionamento dos Balcões Único de Atendimento ao Público (BUAP), em Luanda, mas exortaram os cidadãos, que se queixam de “morosidade no atendimento”, a “aderirem” ao registo eleitoral oficioso.

: Ampe Rogério/Lusa
Ampe Rogério/Lusa  

Adalberto Costa Júnior, presidente da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA, maior partido na oposição), Filomeno Vieira Lopes, presidente do Bloco Democrático (BD) e Abel Chivukuvuku, coordenador do projecto político PRA JÁ Servir Angola, actualizaram esta Quinta-feira, em Luanda, o seu registo eleitoral oficioso.

Os três políticos compõem e recém-proclamada Frente Patriótica Unida (FPU), plataforma política eleitoral da oposição que se propõe "desalojar" o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) do poder em 2022.

A actualização do registo eleitoral oficioso, processo que teve início em 23 de Setembro passado e decorre até Março de 2022, é feita nos BUAP com a emissão de um cartão de munícipe, após apresentação do cartão de eleitor ou do Bilhete de Identidade (BI).

O presidente da UNITA, ladeado dos membros da FPU, actualizou o seu registo oficioso no BUAP instalado na administração distrital da Urbanização Nova Vida, onde, 15 minutos depois, recebeu o seu cartão de munícipe.

Recebidos com aplausos pelos cidadãos que ali acorreram para tratar igualmente o respectivo registo oficioso, Costa Júnior ainda dialogou circunstancialmente com munícipes que aguardavam na fila para serem atendidos, incentivando-os a terem paciência e a efectuarem o registo.

Vários cidadãos acorrem diariamente àquele BUAP, circunscrito ao município do Kilamba Kiaxi, um dos nove de Luanda, mas queixam-se da morosidade no atendimento, conforme relatou à Lusa Manuel Jesus.

"Vim aqui para me registar, mas o processo está muito moroso, se o Estado angolano diz que tem que 12 milhões de pessoas, [...] o Governo tem de fazer todo o possível para que de facto aumentem mais balcões", disse.

Também Maria Madalena Manuel, 56 anos, se queixou, sobretudo em relação à enchente, desde as primeiras horas do dia, tendo em conta a importância do processo visando as próximas eleições.

A caravana política acompanhou, a seguir, o líder o BD, que fez o registo e tratou o seu cartão de munícipe no Talatona, sul de Luanda, e depois o político Abel Chivukuvuku para o BUAP da Maianga, bairro Cassenga, onde este actualizou o seu registo.

"Maior celeridade" no atendimento era o que pediam também os munícipes da Maianga. Garcia Paulo, 65 anos, após efectuar o seu registo, valorizou a iniciativa das autoridades.

Perto de 60 cidadãos tratam diariamente do seu cartão de munícipe no BUAP da Maianga, segundo Osvaldo Ferraz, chefe de repartição dos Registos no Distrito Urbano da Maianga, dando conta que o processo "decorre na normalidade" e que "os constrangimentos têm sido ultrapassados".

Resumindo a visita aos BUAP, Abel Chivukuvuku, em declarações aos jornalistas, apelou aos cidadãos elegíveis a efectuarem o seu registo eleitoral oficioso "e não deixarem para o último dia".

"Queremos protagonizar a alternância em Angola e é necessário que os angolanos sejam os actores da alternância que tem de acontecer em 2022", apontou, pedindo "maior celeridade" aos operadores dos BUAP no atendimento aos cidadãos.

Já Adalberto Costa Júnior considerou que o seu registo ocorreu com normalidade, tendo constatado algumas circunstâncias que exigem melhorias, uma delas ligadas à questão da biossegurança devido à covid-19.

"O tempo de atendimento foi razoável, média de 15 minutos, mas a preocupação é que se a meta são 12 milhões seguramente há algum investimento que tem de ser feito, a aceleração da velocidade da internet, multiplicação de postos, necessidades de equipa móvel", defendeu.

O político lamentou ainda que todos os fiscais do seu partido não tenham sido credenciados para acompanharem o processo junto dos BUAP.

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