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Energia

Angola deve criar quadro regulatório para atrair investimento privado nas renováveis, defende Asaer

Angola está a captar o interesse de investidores privados no sector das energias renováveis, mas falta concluir um quadro regulatório e legislativo que crie confiança, defendeu esta Quinta-feira o presidente da Associação Angolana de Energias Renováveis (Asaer).

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Vítor Fontes que falava à Lusa a margem da conferência Luanda Oil & Gas and Renewable Energy, organizado pela Petroangola, que decorre até Sexta-feira no Centro de Convenções de Talatona, em Luanda, considerou que já foram dados alguns passos, mas ainda é necessário "limar algumas arestas", nomeadamente em termos de garantias de exportação do capital.

"Penso que falta criar um quadro legislativo e regulatório que crie confiança ao nível do investidor. Há interessados, não há falta de manifestações de interesse para investir nessa área nomeadamente no solar fotovoltaico, mas também nas mini-hídricas, mas falta concluir esse edifício legislativo e regulatório para que o investidor se sinta suficientemente seguro em fazer esse investimento", sugeriu.

Para Vítor Fontes, é fundamental agilizar os processos que levem à concretização do investimento, a garantia de repatriamento de capitais ou fazer os contratos de aquisição de energia numa moeda que dê alguma estabilidade em particular a quem venha a usar financiamento do estrangeiro para que possa ser ressarcido do investimento.

"Existe uma maior sensibilidade por parte das entidades governamentais que estão neste momento com esse processo em mãos, mas ainda há trabalho a fazer", vincou.

O presidente da Asaer destacou, por outro lado, que Angola tem já uma posição confortável do ponto de vista da utilização de energias renováveis já que 70 por cento da electricidade é gerada através de energia hídrica e perspectivam-se para os próximos anos obter cerca de 500 MWh (megawatts/hora) através de energia solar fotovoltaica, dos quais 370 MWh já estão em construção.

Referiu também que a transição energética dever ser encarada de uma forma mais abrangente e que Angola não pode ficar alheia a este movimento mundial que pretende tomar medias significativas no sentido da descarbonização.

"Em alguns aspectos da política governamental parece ainda não existir uma clara visão das consequências do clima internacional que vão obrigar a que essa transição energética se faça, queiramos ou não", comentou.