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PR apresentou “um país virtual” no seu discurso sobre o Estado da Nação, diz líder do PRS

O líder do Partido de Renovação Social (PRS) disse esta Terça-feira que o país real “está aquém daquele que foi apresentado pelo Presidente”, no seu discurso à Nação, afirmando que João Lourenço “apresentou um país virtual”.

: Lusa
Lusa  

Benedito Daniel, líder do PRS, partido na oposição, afirmou, na sua resposta ao discurso de João Lourenço sobre o estado da Nação da passada Quinta-feira, que o Presidente apresentou um relatório em que se exonera de responsabilidades da actual crise financeira que o país vive.

"Encontrou um culpado, o chamado covid-19, a quem atribui todas as culpas", disse.

Para o presidente dos renovadores sociais, João Lourenço fez uma incursão ao que foi feito, "mas não disse o que será feito e nem apresentou um plano concreto para que os angolanos entendam que, afinal, o amanhã será melhor".

"O país real está aquém daquele que foi apresentado pelo Presidente da República no dia 15 de Outubro. Os indicadores práticos dos últimos anos não são animadores, pois os preços dos produtos da cesta básica, e de outros, sobem a cada dia que passa", notou.

Segundo aquele político, os empresários "não têm como manter as empresas e estão a mandar para o desemprego, todos os dias, os cidadãos", enquanto o sistema de saúde e educação "continuam dos mais precários".

A "delinquência está cada vez mais alta na maioria das cidades, enfim, mais uma vez o chefe de Estado apresentou-nos um país virtual, baseado em relatórios bonitos feitos nos bons gabinetes", comentou o deputado.

No seu discurso sobre o estado da Nação proferido na Quinta-feira passada na Assembleia Nacional, que marcou também a abertura do ano parlamentar 2020-2021, João Lourenço anunciou que Angola criou 19 mil empregos no primeiro semestre de 2020.

Destacou que o mercado de trabalho "foi fortemente abalado" devido à pandemia de covid-19, não obstante 19 mil trabalhadores terem encontrado trabalho através de centros de emprego ou no contacto com empresas.

Foram registados, no mesmo período, sete mil despedimentos e mais de 14 mil suspensões dos vínculos laborais em especial no sector dos serviços, comércio e indústria, educação e construção civil, acrescentou.

Na sua réplica ao discurso do PR, Benedito Daniel afirmou que a crise económica no país "não veio por causa da covid-19, é bem anterior".

"Por isso, não deve servir de desculpa para a não concretização das promessas que o executivo fez ao povo angolano", realçou.

Em relação à diversificação da economia, o presidente do PRS disse que a promessa de uma efectiva diversificação está longe de ser concretizada por falta de vontade política.

Aliás, acrescentou, "é assim que o partido no poder está a governar o país há 45 anos".

"Tudo não passa de bons discursos cheios de boas intenções, mas na prática não se concretiza", comentou.

Naquela ocasião, o Presidente, João Lourenço, disse que as eleições autárquicas, previstas para 2020, "não foram adiadas porque nunca foram convocadas" e salientou que seria "irrealista e irresponsável" realizar o sufrágio este ano.

O chefe de Estado abordou a realização das eleições autárquicas este ano, como tinha sido recomendado pelo Conselho da República em 2018 e "acatado" pelo Executivo, mas salientou não haver condições por não estar concluído o pacote legislativo necessário.

Benedito Daniel acusou igualmente o Presidente de ser o "responsável pelo adiamento" das primeiras autárquicas porque "não faz sentido o Conselho da República recomendar a realização das autarquias em 2020 e ele recomendar o contrário".

"E ainda justificar-se de que as eleições nunca foram convocadas. Devia, no mínimo, esclarecer as dificuldades encontradas, o modo de serem suplantadas e a previsão da sua realização", defendeu.

Quanto ao processo de combate à corrupção e recuperação de activos, o também deputado disse ser "necessário e urgente" as acções dos órgãos competentes "retirarem o carácter elitista do processo".

O combate à corrupção, destacou, é um processo que deve envolver a participação de todos os cidadãos para expurgá-la da sociedade e não um exclusivo de uma elite de políticos ou judiciário.

"Todo o povo deve participar com mecanismos próprios para que o impacto se reflicta na sociedade", concluiu.

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