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Vera Daves diz que crise é oportunidade para acelerar reformas com apoio do FMI

A ministra das Finanças, Vera Daves, disse esta Terça-feira que a crise económica agravada pela pandemia de covid-19 é uma oportunidade para acelerar as reformas acordadas ao abrigo do programa do Fundo Monetário Internacional (FMI).

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"Vemos esta crise como uma oportunidade para acelerar as reformas que estávamos a implementar com o apoio do FMI, ao abrigo do programa de assistência financeira de 4,5 mil milhões de dólares", disse a governante durante uma sessão nos Encontros Anuais do Fundo, que decorrem este ano em formato virtual.

Na 'Conversa de Governadores', em que respondeu a perguntas lançadas pelo director do departamento africano do FMI, Abebe Aemro Selassie, Vera Daves explicou que Angola enfrentou, no início da propagação da pandemia, um conjunto de dificuldades que exacerbaram um ambiente económico já de si muito desafiante.

"Entrámos na pandemia numa situação em que a economia já enfrentava fragilidades relativamente ao crescimento, à nossa capacidade de aumentar receitas, tínhamos muita pressão sobre a despesa devido à necessidade de lançar infra-estruturas, e estávamos pressionados sobre a dívida também", lembrou a governante.

Para além disso, acrescentou, "as fronteiras fecharam, vimos o preço das matérias primas a descer, e o nosso orçamento foi extremamente afetado, porque como estamos ainda muito dependentes das receitas da exportações de petróleo, não fomos capazes de implementar o orçamento como o definimos no final de 2019".

As poupanças, salientou, tiveram de ser utilizadas, "mas mesmo recorrendo às poupanças, tivemos de, por outro lado, gastar muito para prevenir a propagação do vírus e fizemo-lo num contexto em que, apesar de o preço de o petróleo estar baixo, enquanto membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo, tivemos de respeitar a redução das quotas".

Para a ministra das Finanças, o recurso à emissão de dívida nos mercados internacionais tornou-se impossível, o que obrigou mesmo o país a adiar uma emissão de 3 mil milhões de dólares que estava prevista para o primeiro semestre deste ano.

"Por causa de toda a preocupação sobre a dívida, a capacidade de ir aos mercados tornou-se impossível, foi um momento muito desafiante, e um momento que ainda estamos a atravessar", concluiu Vera Daves.

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